quinta-feira, 16 de maio de 2019

Eu não sou melhor que tu...

Cada um peregrina o seu Caminho, pois de todos é o Caminho!

Por conseguinte, tu não é melhor que eu!
A partir desta singela constatação é saudável compartilhar a leitura do dia de hoje do Evangelho de João 13, 16-20, proposta pelos estimados irmãos jesuítas e disponível gratuitamente em www.rezandovoy.org
“Cuando Jesús acabó de lavar los pies a sus discípulos, les dijo: “Os aseguro, el criado no es más que su amo, ni el enviado es más que el que lo envía. Puesto que sabéis esto, dichosos vosotros si lo ponéis en práctica. No lo digo por todos vosotros; yo sé bien a quiénes he elegido, pero tiene que cumplirse la Escritura: ‘El que compartía mi pan me ha traicionado’. Os lo digo ahora, antes de que suceda, para que cuando suceda creáis que yo soy. Os lo aseguro: El que recibe a mi enviado me recibe a mí; y el que a mí me recibe, recibe al que me ha enviado”.
Me inspiro neste texto para associá-lo ao espírito do Caminho de Santiago e costurar algumas reflexões que me agitam nestes dias de Primavera europeia, quando as rotas milenares que levam ao sepulcro do Apóstolo de Jesus, Tiago Maior, apresentam número crescente de pessoas, que para lá convergem por motivos diversos.
Em abril passado, por exemplo, com base nas estatísticas da Oficina del Peregrino da Catedral de Santiago de Compostela, para 49,88%, ou 15.823 pessoas, o motivo da peregrinação foi religioso-cultural. Outros 38,65%, ou 12.259 pessoas, disseram que a motivação foi religiosa; e 11,47%, 3.639, alegaram o interesse só cultural.
Talvez a fria análise dos números explique um pouco o clima de intolerância que volta a permear os diferentes itinerários a Compostela, colocando face a face os que querem efetivamente realizar uma peregrinação, na acepção pura da palavra, visando venerar as relíquias do Apóstolo, buscar autoconhecimento, resposta às suas inquietações; e aqueles – aparentemente a maioria – que querem tão somente viajar, atravessar pueblos pitorescos, aproveitar a gastronomia, visitar o fantástico patrimônio cultural.
Aparentemente, o primeiro grupo não tem nada contra o segundo, muito pelo contrário, não fosse o detalhe crucial de que o segundo grupo quer fazer seu turismo utilizando a estrutura criada exatamente para atender a demanda do primeiro grupo. Ou seja, quando o peregrino do primeiro grupo chega exausto ao albergue público, com preço a 6 euros, quase sempre o encontra lotado – e lotado de pessoas do segundo grupo (que chegaram mais cedo, pois caminham pouco...).
Uma alternativa será procurar um albergue particular e pagar a partir de 12 euros. Isto se o albergue particular já não estiver lotado por meio de reservas antecipadas, até mesmo por famílias desse segundo grupo. Também não adiantará caminhar mais algumas horas, pois o próximo albergue público, pelo horário, certamente já estará lotado.
Parece pouco, mas não é!
Além do descarado oportunismo, as pessoas do famigerado segundo grupo exibem outros vícios que aborrecem as pessoas do primeiro grupo. Como observado, os albergues particulares aceitam reservas. Tudo bem. Afinal, eles funcionam como um hotel barato, muito mais barato do que um verdadeiro hotel, que também estão disponíveis na maioria das cidades cruzadas pelos itinerários.
Outra prática questionável desse segundo grupo é que seus integrantes não gostam de carregar peso, ou alegam não ter condições para tanto. Assim, incrementam um serviço de transporte de mochilas – um nicho que os taxistas disputam com unhas e dentes com os Correios da Espanha. A pessoa desse grupo, trajando roupa fitness e tênis, separa para o Caminho uma bolsa com seu necessaire e uma garrafinha de água, e um cajado, e abandona sua mochila com roupas, calçados, shampoo, secador de cabelos... devidamente identificada e o endereço do próximo albergue.
O serviço é eficiente. Na entrega, o funcionário que faz o papel de camareiro não se importará em acolher a mochila e aguardar o dono. Constrangedor é quando as pessoas desse segundo grupo teimam em despachar a mochila para um albergue público ou mantido por associações de amigos do Caminho, ou entidades religiosas, constrangendo o hospitaleiro a acolher uma mochila!!!
Esta situação não é nova! Eu mesmo a relatei no meu primeiro livro, “Pedras do Caminho, meu encontro no Caminho de Santiago”, sobre minha peregrinação pelo Caminho Francês, em 2009. Viria a constatar o mesmo problema em outras peregrinações; e de forma trágica em 2013, no Caminho Sanabrês, por um grupo de quatro que estava de carro. Eles se revezavam na direção. Ao final da etapa, quando era possível, tinham a ousadia de estacionar o veículo na área do albergue...
A questão é que os abusos aumentam a cada ano, por conta da popularização natural das rotas de peregrinação, atraindo pessoas desinformadas sobre o espírito do Caminho de Santiago.
Neste ano, com a crescente proliferação de grupos de peregrinos em redes sociais, como o Facebook, as situações estão ainda mais esdrúxulas, com perguntas que ofendem o razoável e demonstram a total falta de noção dessas pessoas – tudo indicando que os conflitos tenderão a se acirrar no final da Primavera e durante o Verão europeu.
Hoje, contestei uma pessoa que tem a pretensão de transitar entre os dois grupos, pois quer ser reconhecida como peregrina, mas não gosta de carregar mochila, prefere os spas e adora reservar albergue antecipadamente (sobre um deles, gabou-se ter feito a reserva em fevereiro!!!). Fui delicado, falando sempre de forma hipotética, mas não teve jeito, pois a carapuça era do tamanho do seu ego.
Um Caminho se peregrina com passos!!! Seja de quem forem as pernas...
O imbróglio iniciou ao lhe fazer uma pergunta e, em vez de me responder, me perguntar se eu a estava vigiando. Confessei que não, não a estava vigiando e que ela deveria saber, por tudo que disse, escrevi e fiz, pois defendo que cada um realize o seu Caminho do jeito que quiser:
“Se quiser contratar táxi ou uma mula para levar mochila, que contrate; se quiser ficar só em hotel de luxo, tipo spa, ou em albergues particulares, tipo 4 num quarto, que fique... Faça cada um seu 'my way'. Só fico indignado quando este sujeito quer usar a estrutura criada para o peregrino, seja o albergue de 6 euros para o peregrino, seja o hospitaleiro voluntário para o peregrino..., para fazer turismo barato e alardear que faz peregrinação. ‘O que é isso, peregrino?’, diria Gabeira nos anos de chumbo...”
Argumentei ainda que agindo daquela forma, o tal peregrino – sempre indeterminado! – só estará perdendo uma boa oportunidade de conhecer a mística do Caminho e fazer uma verdadeira peregrinação. Disse ainda que acompanho algumas páginas do Caminho na Internet e acho engraçado a postura de alguns "peregrinos", que alardeiam que fazem isso e aquilo, por retórica, enquanto seus passos derrapam pelo Caminho:
“Insisto, não sou contra, nem a favor. O Caminho é de todos. Mas, não façam xororô, pois soa falso...”
Ainda pela manhã, na esteira das reflexões sobre o Caminho, minha timeline do Face ofereceu-me uma foto que tirei em 2015, no Caminho Primitivo. A data do post, contudo, era 2016, quando do lançamento do livro "A Última Peregrinação...", que refletiu sobre o que foi minha quinta peregrinação (que para mim não seria a última, pois voltaria em 2016 para peregrinar o Caminho Inglês e em 2017...)!
Insisti na minha convicção, que é a minha verdade – não admito censura e não negocio meu direito de manifestar minha opinião. E repeti pela enésima vez:
“Cada um peregrina o seu Caminho, pois de todos é o Caminho – este é o axioma. Mas não se engane, nem tente isso contra terceiros, se em vez de peregrinar você gosta mesmo é de turistar! Só não mande sua mochila de táxi para ser recepcionada pelo hospitaleiro, e nem utilize albergue público de 6 euros, muito menos os beneficentes!!!, pois esse patrimônio que sobrevive há 1.200 anos foi criado para o peregrino. Vá para os hotéis e spas que proliferam nas rotas sagradas”.
Para os do segundo grupo, atribuo apenas uma boa viagem!
Para os do primeiro grupo, a quem chamo peregrinos, desejo um entusiasmado Buen Camino!
#pedrasdocaminho
#xacobeo2021

domingo, 20 de janeiro de 2019

#10yearchallenge

06/06/2009: atravessando os Pirineus no primeiro dia de peregrinação pelo Caminho Francês

Algum tempo antes de viralizar #10yearchallenge já havia decidido, no âmbito do meu sabbatical, que este ano o Caminho de Santiago seria em mim revivido por meio de uma singela celebração dos 10 anos de minha primeira peregrinação a Santiago de Compostela, na Galícia, Espanha, onde repousam as relíquias do Apóstolo de Jesus, Tiago Maior. Números redondos são sempre motivo de festa, embora, cá comigo, considere um ciclo mais consequente a chegada do 12º ano, em referência ao horóscopo lunar chinês e aos 12 animais que compareceram ao convite de Buda para comemorar o Ano Novo...
2009 foi ano do boi.
Em 2009 inaugurei minhas peregrinações pelo Caminho de Santiago e, com pouca noção sobre o estupendo universo que envolve o mistério jacobeo, optei pelos 800 quilômetros do Caminho Francês. Não só pelo fato de ser o mais famoso, ou pano de fundo para o best-seller “Diário de um Mago”, de Paulo Coelho, mas, também, por ter sido o primeiro sobre o qual colhi informações no momento em que estava sendo despertado para o Caminho.
Esse instante mágico, se é possível aprisioná-lo numa linha do tempo, foi quando no final de 2008 o amigo José Roberto Lisbôa Júnior me pediu (aliás, quebrando uma máxima que eu viria a cultivar no Caminho...) que publicasse no meu jornal uma reportagem sobre o Caminho de Santiago.
O fraterno irmão ponderou que havia sido diplomado hospitaleiro no refúgio de peregrinos de Castrojeriz, no coração do Caminho Francês em Espanha, e um de seus compromissos era divulgar a milenar rota de peregrinação cristã. Concordei de imediato e um dia marcamos a entrevista, quando Lisbôa me detalhou a experiência de sua peregrinação em 2006 pelo Caminho Francês e sua atuação como hospitaleiro em setembro e outubro de 2008.
A entrevista foi capa da edição de janeiro de 2009 do jornal Perspectiva, sob o título “Santiago – Caminho da Solidariedade”, em www.jornalperspectiva.com.br/wp-content/uploads/2016/02/1761.pdf

Capa do jornal Perspectiva, janeiro de 2009

Desde então o Caminho de Santiago passou a fazer parte da minha vida, pois havia decidido peregrinar o Caminho Francês. Sem dispor de todos os recursos que hoje transbordam na internet, fiz uma cópia do guia El País/Aguilar (edição de março de 2006) que havia tomado emprestado de Lisbôa e passei a estudar como poderiam ser minhas etapas. Li até o final (ufa!) o exemplar de Diário de um Mago, que adquiri num sebo. Na Decathon comprei botas, mochila, roupas, meias, enfim, tudo o que achava ser necessário para a viagem. Em 15 de abril de 2009 comprei os bilhetes de avião até Pamplona, com conexões em Lisboa e Madri. A ideia era seguir de ônibus para Roncesvalles e pegar uma van até Saint Jean Pied de Port, o início emblemático do Caminho Francês.
Acabou dando tudo certo... Ou mais que certo, pois desde que havia tomado minha decisão as coisas foram acontecendo sem embaraços, numa sequência de “coincidências” (já me referi como não classifico coincidências os fatos misteriosos no sagrado Caminho de Santiago!) e sinais místicos.
O projeto incluiu documentar a peregrinação, considerando minha disposição de editar um livro. Afinal, o ano seguinte, 2010, seria comemorado Ano Santo, ou ano jacobeo, quando o dia do Apóstolo Santiago, 25 de julho, cai num domingo. E os Caminhos de Santiago são invadidos por peregrinos de todo o planeta. Assim, aproveitando a onda de proliferação dos blogs, em 23 de abril de 2009 criei o meu, na plataforma Uol, em www.blogcomcebola.zip.net, com o objetivo de registrar momentos pitorescos da peregrinação.
A experiência do BlogComCebola foi surpreendente durante a peregrinação (além da primeira, ele abriga as três peregrinações seguintes...) e foi muito importante por ter me proporcionado uma forte interação com amigos. Recordo que minha conta no Facebook somente viria a ser criada algum tempo depois, em 29 de setembro de 2009!
Infelizmente, as postagens neste blog só foram possíveis até 18 de julho de 2014, quando contava com mais de 18 mil acessos e o sistema me informou que não havia mais espaço para textos e fotos. A alternativa foi criar em 15 de agosto de 2014 meu segundo blog, em outra plataforma mais adequada, em www.pedrasdocaminhodesantiago.blogspot.com.br, que está ativo e até este momento totaliza 61.390 visualizações.
É aqui que estarei resgatando os 10 anos de minha primeira peregrinação pelos Caminhos de Santiago, agora animado pela campanha #10yearchallenge!
Buen Camino!

sábado, 5 de janeiro de 2019

Adiós, Sabbatical!

Duas cirurgias, num intervalo de cinco meses...

Sabbatical, em hebraico, shabbat (שבת); em latim, sabbaticus; em grego, sabbatikos (σαββατικός), é um período de interrupção que pode variar de dois meses a um ano, cujo conceito tem fonte em shemitá, descrita em diversas passagens da Bíblia.

Não sei exatamente o momento, mas em alguma esquina da vida havia decidido que, após um período intenso de peregrinações pelo Caminho de Santiago, era chegada a hora de meu sabbatical. E no meu caso, haveria de ser o mais amplo possível, afastando-me tanto das peregrinações quanto de seus respectivos relatos por meio de livros, e todas as demais implicações que um e outro geram. Não seria tarefa fácil.
Havia acabado de constatar, em junho de 2018, que desde 2009 havia realizado oito peregrinações pelo Caminho de Santiago, das quais uma resgatando a célebre peregrinação de Francisco (de Assis, na Itália, a Compostela, na Espanha) e outra por uma rota tangencial do Caminho, totalizando algo em torno de 2.100 quilômetros a pé; e, de forma correspondente, havia publicado oito livros. Sou o autor brasileiro (e de muitos outros países, talvez das Américas, ou do mundo!) que mais livros escreveu sobre o Caminho de Santiago.
Era, pois, tempo de sabbatical. E, entre algumas inusitadas referências, encontrei ensinamentos relevantes em Levítico XXV, transmitidos pelo Senhor a Moisés... Naquele instante, ainda traduzindo em mim os efeitos da peregrinação realizada em junho de 2017 pelo Caminho Lebaniego, a citada rota tangencial do Caminho de Santiago que atravessa a Cordilheira Cantábrica, havia acabado de editar um livro alusivo por meio do financiamento coletivo proporcionado entre meus amigos e amigos de Santiago.
Informações sobre todo este processo, desde a peregrinação até a publicação de “Lebaniego”, estão nos posts anteriores, ou abaixo, o mais recente datado de 26 de julho de 2018! Naqueles dias, temperando o conturbado momento, estava focado em me recuperar de uma cirurgia crucial, feita há pouco mais de um mês, em 15 de junho, para colocação de uma prótese de titânio na articulação coxofemoral esquerda; ou, como se diz, uma prótese no quadril, para aliviar a intensa dor provocada pela artrose.
E antes que algum desavisado possa atribuir o mínimo fiapo de culpa ou dolo ao Apóstolo Santiago, esclareço que o desgaste da cartilagem articular do quadril pode ser causado por traumatismos antigos, como pela prática do surfe (desde o final dos anos 60), por alterações congênitas da forma do quadril (o que é fato), por doenças da infância e da adolescência que tenham afetado o quadril (que desconheço), ou pelo desgaste puro da cartilagem sem razão aparente.
Aliás, a leitura que faço agora é exatamente oposta; neste instante em que me recupero de ter colocado prótese semelhante na articulação coxofemoral direita, em 23 de novembro, cinco meses após a primeira, executada de forma magistral pelo mesmo dr. Paulo Rogério Ferreira, que carinhosamente apelidei “Mão Santa”. Hoje, não tenho dúvidas de que se resisti bravamente às duas cirurgias, num intervalo de cinco meses, impressionando positivamente o dr. Paulo Rogério, assim com os profissionais da saúde que trataram e tratam de minha reabilitação (especialmente o fisioterapeuta dr. Carlos Bahir de Andrade Jr., que chamo “Dr. Esperança”), foi exatamente por ter caminhado os mais de 2.100 quilômetros do Caminho de Santiago. Ou seja, se não os tivesse peregrinado, teria inevitavelmente sofrido todo o drama da artrose severa em meu quadril, pois o processo degenerativo já se havia instalado – e não teria tanta certeza se estaria comemorando a graça de voltar a caminhar com minhas pernas. Ah! E certamente não teria a mais remota possibilidade de um dia peregrinar o Caminho de Santiago: nem os últimos 100 quilômetros em troca de uma Compostela, muito menos o emblemático Caminho Francês, com seus estupendos 800 quilômetros, que enfrentei durante 29 dias em 2009!
Obrigado, Santiago!
Se o leitor se atentou para as datas, ou “coincidências” (pois, como já explanei em algum dos meus livros, não existem coincidências no âmbito do sagrado Caminho de Santiago!), em 2019 – exatamente em 6 de junho – estarei completando 10 anos do início de minha peregrinação pelo meu primeiro Caminho de Santiago. Naquele dia, abençoado por uma fina garoa, me despedi de Saint Jean Pied de Port, na França, para atravessar os Pirineus e chegar a Roncesvalles, na Espanha, inaugurando uma saga que mudaria minha vida de uma vez por todas...
Buen Camino!

quinta-feira, 26 de julho de 2018

O maior pedaço da cruz de Jesus Cristo!

Reprodução do Jornal Perspectiva (www.jornalperspectiva.com.br), edição nº 282, julho/2018

Itinerário favorece a viagem interior que todo peregrino busca e também oferece paisagens naturais de extrema beleza

Como não acontece em qualquer outro lugar do planeta, duas importantes rotas de peregrinação cristã se enlaçam na Cantábria, Espanha, combinando os mistérios do Caminho de Santiago e do Caminho Lebaniego. Em junho de 2017, o jornalista Luiz Carlos Ferraz foi buscar esse conhecimento e experimentar a energia da convergência dos Caminhos. Com o aprendizado de sua sétima peregrinação pelo mundo jacobeo, Ferraz lançou em 25 de julho, Dia de Santiago, o livro “Lebaniego”, que revela um pouco da história, tradição e lenda do Caminho Lebaniego, uma rota tangencial do místico Caminho de Santiago de Compostela.
A peregrinação pelo Caminho Lebaniego leva ao Monastério de Santo Toríbio de Liébana, onde está a Lignum crucis, o maior pedaço da cruz de Jesus Cristo. Em junho de 2017, durante o Ano Jubilar 2017/2018 (toda vez em que 16 de abril, Dia de Santo Toríbio, cai em domingo), o autor peregrinou de San Vicente de la Barquera, no litoral da Cantábria, até o Monastério de Santo Toríbio, encravado num vale dos Picos de Europa.
Editado pela Titan Comunicação, o livro está disponível nas livrarias do litoral paulista – como a Realejo e a Nobel do Shopping Parque Balneário, em Santos – e na Associação de Amigos e Confrades do Caminho de Santiago de Compostela (ACACS-SP), na capital paulista.
Ferraz, 62 anos, peregrinou diferentes itinerários do Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, percorrendo a pé algo em torno de 2.100 quilômetros, e hoje é o autor brasileiro com mais livros escritos sobre o Caminho de Santiago. Anterior a “Lebaniego”, Ferraz escreveu em 2017 “Juntos no Caminho”, cujo conteúdo lhe valeu o segundo lugar, na categoria “Peregrinos”, no II Certame Internacional de Investigação do Caminho Inglês, promovido pelo Conselho de Oroso, na Galícia.
É também autor da trilogia Pedras do Caminho: “Meu Encontro no Caminho de Santiago”, sobre o Caminho Francês; “Sentido do Perdão”, ambientado no Caminho Português; e “Busca sem fim”, com foco no Caminho Aragonês. E inaugurou a série Descobrindo Novos Caminhos com o livro “As pedras do Caminho Sanabrês”, seguido de “Passos do Amor – A Peregrinação de Francisco, de Assis a Santiago de Compostela” e “A Última Peregrinação”, que revela os segredos do Caminho Primitivo.

Lignum crucis: o maior pedaço da cruz de Jesus Cristo é venerado no Monastério de Santo Toríbio de Liébana

Livro revela os mistérios do Lebaniego, uma rota tangencial do Caminho de Santiago...

Ficha Técnica

“Lebaniego, uma rota tangencial do Caminho de Santiago”
Autor: Luiz Carlos Ferraz
ISBN: 978-85-910810-9-7
Edição: 01-2018
Editora: Titan Comunicação
Dimensões: 220 x 220 x 11 mm
Acabamento: capa dura, papel couchê 115 g/m2
Páginas: 112
Preço sugerido: R$ 70
Classificação Temática: Aventura > Viagem

Diante da Porta do Perdão no Monastério de Santo Toríbio

Peregrinando o Caminho Lebaniego...

A denominação Caminho Lebaniego compreende cinco rotas diferentes, que se entrelaçam com o Caminho de Santiago, e chegam ao Monastério de Santo Toríbio de Liébana. Duas dessas rotas são acessadas pelo Caminho do Norte: Montanhesa, a partir de San Vicente de La Barquera, com 72 quilômetros de extensão; e Asturiana, desde Llanes, município a cerca de 30 quilômetros de San Vicente, mas que é parte do Principado das Astúrias. As outras três iniciam no Caminho Francês: Vadiniense, desde Mansilla de las Mulas, com 151 quilômetros; Leonesa, uma variante da Vadiniense, com 45 quilômetros; e a Castelhana, a partir de Carrión de los Condes, com 136 quilômetros.
O jornalista Luiz Carlos Ferraz peregrinou a rota Montanhesa do Caminho Lebaniego em cinco etapas. A primeira, de San Vicente de la Barquera a Serdio; depois, de Serdio a Cades; em seguida, de Cades a Cicera; no quarto dia, de Cicera a Potes; e finalmente, de Potes ao Monastério de Santo Toríbio.
A Montanhesa é a mais tradicional e atravessa os municípios de San Vicente de la Barquera, Val de San Vicente, Herrerías, Lamasón, Peñarrubia, Cillórigo, Potes e Camaleño. O itinerário favorece a viagem interior que todo peregrino busca e também oferece paisagens naturais de extrema beleza, temperadas com valiosos exemplares do patrimônio arquitetônico da Cantábria.
O ponto de partida é San Vicente de la Barquera, cuja origem da vila é atribuída a um assentamento romano do século I denominado Portus Vereasuecae, citado na obra “Historia Natural”, de Gayo Plinio Segundo, conhecido como Plinio el Viejo. Atual porto pesqueiro com população de 3.500 habitantes, está localizado junto às rías de San Vicente e La Rabía e a maior parte do seu território está incluída no Parque Natural de Oyambre, uma área protegida de quase seis mil hectares, que envolve pântanos, falésias, praias, dunas e florestas.
No topo de um promontório rochoso destaca-se a Igreja de Santa María de los Ángeles. De estilo gótico, ela foi construída como fortaleza a partir de 1210 pelo rei Alfonso VIII de Castilla, para acolher e proteger a população que crescia após a concessão do foro.
Em seu interior há mais de 400 tumbas anônimas sob o piso de madeira. O altar central mostra duas virgens, Santa Maria dos Anjos, a padroeira de San Vicente, e a Virgen de la Silla, uma das quatro virgens com peito descoberto da Cantábria – as demais estão em Santa María de Lebeña, Santa María de Laredo e no Museu de Santillana del Mar.
Na capela da família Corro, o túmulo de estilo renascentista feito em mármore do inquisidor Antonio del Corro, é obra-prima do século XVI. Outra imagem fantástica é a do Anjo Marinheiro, que está no teto, feito de madeira policromada. Ele tem rosto feminino, corpo de homem e segura um remo.
No entorno da igreja a vista é esplêndida do Naranjo de Bulnes, o pico calcáreo da era Paleozóica, no Maciço Central dos Picos de Europa, que se reflete na ría de Pompo.
Outra construção espetacular de San Vicente de la Barquera é o Castelo do Rei (século XIII), que funciona como museu e foi construído por Alfonso VIII no mesmo ano que a igreja (1210). Tem uma torre principal de forma pentagonal e outra quadrada e exerceu importante função defensiva contra ataques de piratas.
Entre outros pontos de interesse, o Convento de San Luis, do século XV, está localizado em frente à Ponte da Maza. Ele foi construído pelos monges franciscanos no século XV e ali se hospedou Carlos V em 1517 em sua passagem para ser coroado rei. A Ponte da Maza, também do século XV, possui 28 arcos e cerca de 500 metros de comprimento. Há ainda o Santuário de la Barquera, conhecido como La Capilla, do século XV.

Mais um dia fantástico: neblina após a tormenta na travessia do Canal de Francos

Rico patrimônio da Cantábria: em São Vicente de la Barquera, a Igreja de Santa María de los Ángeles...

... em Lebeña: a igreja mozárabe de Santa María de Lebeña 

segunda-feira, 16 de julho de 2018

"Lebaniego" será lançado no Dia de Santiago

Capa de Lebaniego: peregrinação venera o maior pedaço da cruz de Jesus Cristo

Lanço em 25 de julho, Dia de Santiago, meu oitavo livro: “Lebaniego, uma rota tangencial do Caminho de Santiago”, que relata minha peregrinação pelo Caminho Lebaniego, na Espanha. O roteiro leva ao Monastério de Santo Toríbio de Liébana, onde está a Lignum crucis, o maior pedaço da cruz de Jesus Cristo.
O Caminho Lebaniego comemorou Ano Jubilar em 2017/2018, o que acontece toda vez em que 16 de abril, Dia de Santo Toríbio, cai em domingo, conforme estabelece a bula do Papa Júlio II, do século XVI.
Em junho de 2017 tive a oportunidade de peregrinar a Rota Montanhesa do Caminho Lebaniego, de San Vicente de la Barquera, no litoral da Cantábria, até o Monastério de Santo Toríbio de Liébana, encravado num vale dos Picos de Europa, onde está a relíquia que o próprio Toríbio trouxe de Jerusalém e que é reconhecida pelo Vaticano como o maior pedaço da cruz de Jesus Cristo.
O livro brinda o leitor com muita história, interessantes lendas e tradições e minha incontida emoção, cheio de dúvidas e com poucas convicções, que levam a refletir sobre a condição humana, suas expectativas e propósitos.
A obra reúne textos únicos, sincronizados com excepcionais fotos coloridas. Seguramente, o leitor vai se surpreender com mais esta lição de vida, além de ter acesso à riqueza material e imaterial do Caminho de Santiago e, quem sabe, até se inspirar à peregrinação.
Completei 62 anos em março e peregrinei diferentes itinerários do Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, percorrendo a pé algo em torno de 2.100 quilômetros. Hoje sou o autor brasileiro com mais livros escritos sobre o Caminho de Santiago!
Anterior a “Lebaniego”, escrevi em 2017 “Juntos no Caminho”, cujo conteúdo me valeu o segundo lugar, na categoria “Peregrinos”, no II Certame Internacional de Investigação do Caminho Inglês (peregrinado em 2016), promovido pelo Conselho de Oroso, na Galícia.
Sou também autor da trilogia Pedras do Caminho: “Meu Encontro no Caminho de Santiago”, sobre o Caminho Francês (peregrinado em 2009); “Sentido do Perdão”, ambientado no Caminho Português (em 2010); e “Busca sem fim”, com foco no Caminho Aragonês (em 2012). E inaugurei a série Descobrindo Novos Caminhos com o livro “As pedras do Caminho Sanabrês” (em 2013), seguido de “Passos do Amor – A Peregrinação de Francisco, de Assis a Santiago de Compostela” (em 2014) e “A Última Peregrinação”, que revela os segredos do Caminho Primitivo (em 2015).
Editado pela Titan Comunicação, o livro está disponível nas livrarias do litoral paulista – como a Realejo e a Nobel do Shopping Parque Balneário, em Santos – e na Associação de Amigos e Confrades do Caminho de Santiago de Compostela (ACACS-SP), na capital paulista.
Ficha Técnica:
“Lebaniego, uma rota tangencial do Caminho de Santiago”
Autor: Luiz Carlos Ferraz
ISBN: 978-85-910810-9-7
Edição: 01-2018
Editora: Titan Comunicação
Dimensões: 220 x 220 x 11 mm
Acabamento: capa dura, papel couchê 115 g/m2
Páginas: 112
Preço sugerido: R$ 70
Classificação Temática: Aventura > Viagem


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Diante da Porta do Perdão do Monastério de Santo Toríbio de Liébana, na Cantábria