sexta-feira, 19 de maio de 2017

Meu primeiro anjo no Caminho

Maria Camino, em 2009: "Buen Camino!"

Maria Camino (!) foi um anjo que conheci em minha primeira peregrinação pelo Caminho de Santiago. Foi em 2009. Era quase noite. Sozinho e cansado, cheguei a Saint Jean Pied de Port e andando lentamente me surpreendia com cada detalhe da emblemática cidade francesa, marco do Caminho Francês. Fotografava um gato na Rue de la Citadelle quando avistei a senhora franzina. Procurava um lugar para descansar e Maria Camino disse que alugava quartos em sua casa. Estávamos em frente a sua casa! Entrei, subi as escadas de madeira e gostei do ambiente acolhedor. Lá permaneci duas noites.
Na manhã daquele sábado, 6 de junho, após me servir um café reforçado, Maria Camino foi até a porta se despedir de mim e, como uma autêntica hospitaleira, me desejou “Buen Camino”. Foi a primeira vez que ouvi a saudação. Garoava. Receber aqueles votos era o ânimo que eu precisava para enfrentar a travessia dos Pirineus, considerada um dos trechos mais difíceis e também um dos mais belos do Caminho Real... Aquele ânimo me acompanhou por 800 quilômetros nos 29 dias que se seguiram até minha chegada à Catedral de Santiago de Compostela.
Hoje, meus amigos Eliete Faleiro e Nei Faleiro, que iniciam amanhã o Caminho Francês, me enviaram uma foto de meu anjo. Ela não teve certeza se ainda se lembrava de mim, disse a Eliete ao ver minha foto. Eu não te esqueço, dona Maria Camino, e reconheço a benção que representou nosso encontro! A vocês, queridos Eliete e Nei, ao agradecer o carinho e a tremenda emoção que me proporcionaram, repito a saudação ouvida há 7 anos e que me persegue em minha vida: Buen Camino!
www.pedrasdocaminhodesantiago.blogspot.com.br
#pedrasdocaminho

Maria Camino disse a Eliete Faleiro que talvez não se lembre de mim... Eu não te esqueço, minha inesquecível hospitaleira. Buen Camino!

O cartão de dona Maria Camino, meu anjo em Saint Jean Pied de Port, o primeiro de muitos anjos que tive a felicidade de encontrar em minhas peregrinações pelo Caminho de Santiago. Buen Camino!

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Convite à contemplação, à amizade e à vida!

Em minha exposição, o convite para cada um dos presentes se inspirar, se descobrir e descobrir os mistérios do Caminho de Santiago

Grande parceiro no lançamento de “Juntos no Caminho de Santiago, as pedras do Caminho Inglês”, o amigo jornalista Nelson Tucci preparou texto, publicado na edição de abril do jornal Perspectiva, que reproduzo abaixo. Amigo, mais uma vez agradeço seu delicado carinho e extrema competência. Na sequência, as fotos do evento, clicadas por Bruno Scarpa (tem uma do Joaquim Ordonez!) que também estão na edição de abril e no site do jornal em www.jornalperspectiva.com.br Buen Camino!

Nelson Tucci

Em algumas culturas, como a sul-africana, a chuva significa que os deuses estão te recebendo e abrindo as portas do céu. Pois foi com chuva que inúmeros amigos foram recepcionados em Santos, no sábado, 22 de abril – dia em que a historiografia oficial comemora o Descobrimento do Brasil. O encontro foi com Luiz Carlos Ferraz, editor do Perspectiva, e que, além de jornalista, se revela escritor e especialista nas coisas de Santiago de Compostela. A todos, em analogia à data, Ferraz convidou que cada um fizesse o seu descobrimento.
“Juntos, no Caminho de Santiago, As Pedras do Caminho Inglês” é mais uma obra, a sétima, do obstinado peregrino que busca incessantemente o encontro, um encontro dele com Deus – que, afinal, habita em cada um de nós –, democratizando um convite para que cada um se encontre consigo mesmo, fazendo explodir a centelha de um Ser mais harmonioso.
Enquanto nos provoca e induz à reflexão, o peregrino santista nos brinda com pequenas e inquietantes histórias, muitas vezes submersas no imenso legado cultural ocidental. Estarmos “Juntos no Caminho” é um privilégio que o jornalista divide com quantos estejam dispostos a se inspirar.
A centenária Igreja Anglicana de Santos, que tem como pároco o reverendo Leandro Antunes Campos, abriu as portas para o evento que amalgamou amizade, história, reflexão, viagem... Uma viagem ao longo de mil anos que o músico Wilson Melo nos incitou a fazer ao som da gaita primitiva galega. Viagem recheada de estórias e de muita História, entremeada com guerras medievais, reis anglicanos – Henrique VIII, entre estes – e, sobretudo, de contemplação.
Uma contemplação à vida que o escritor nos permitiu. Ao amigo Luiz, e a Sandra, sua fiel escudeira e companheira de tantas jornadas, o muito obrigado pela oportunidade de sentir a vida pulsando neste espaço-tempo que ocupamos.

Sandra relatou emoções de sua primeira peregrinação a Compostela

Reverendo Leandro Antunes Campos fez oração a Santiago: “(...) que tua Igreja se dedique continuamente à oração e à reconciliação de todos quantos estejam em discórdia e inimizade (...)”

Wilson Melo: peças medievais com sua gaita galega













Edson Gusmão

Durval Capp e Walkyria




Leda Maria Fonseca










Flávio Martins Zanin
Família Duppre, Hugo, Juliana e Victória




Cláudia Viana




Aciole Ferreira e
Cláudia










Tania Grizzi e
seu amado






Cristina Cavaleiro






João dos Santos


Valdemir “Tostex”

Nelson Tucci, que trouxe o filhão, e Maria Helena Domingues






Carmen Lúcia e a neta
Afonso Ferreira
















Regina Fornos



Isabel Randolph

Delton Menezes




Joaquim Ordonez







Sandra Netto e
Alzira Rodrigues
Sandra Netto, Pérsio de Abreu Cracel e esposa





Roberto Luiz
Barroso



Renato Martins Paes
e esposa

Fernando Palladini trouxe a Mamis

Valéria Monteiro


Paulo Mauá e Eduardo Ribeiro Filetti

Ana Beatriz e Ariomar Ferreira






George Peel

Leda Mendes Mondin e Sandra Netto

Diego Puline Fernandes e Matheus Puline Cabral


Luiz Carlos com
Luiz Carlos

Sandra Netto e Andreia
Puline dos Santos











Sandra Netto e Adriana Puline dos Santos





Leandro Ayres





Angela Gesteira, Sandra Netto e Guaraci Ferreira
Ronaldo Araújo




Walter Ferraz e Tatiana Puline dos Santos com filhos






Sandra Netto, Alda e Rev. Leandro Antunes Campos 

sábado, 15 de abril de 2017

Wilson Melo fará recital de música medieval

Wilson e a gaita galega: especializado em early music

O lançamento do livro “Juntos no Caminho de Santiago” – no dia 22 de abril, na Igreja Anglicana de Santos – terá recital do músico santista Wilson Melo, especializado em early music, ou música antiga. O gênero compreende a música medieval (500-1400), música do renascimento (1400-1600) e pode também incluir a música barroca (1600-1760).
Multi-instrumentista, Wilson Melo se apresentará com gaita de fole galega. O repertório será focado no período medieval, com destaque para peças do “Livro Vermelho de Montserrat”, escrito em torno do ano 1399. O livro está preservado no Mosteiro de Montserrat, nos arredores de Barcelona, na Espanha, e seu nome deriva da encadernação vermelha que recebeu no século XIX.
Para Wilson, será uma excelente oportunidade de divulgar um gênero musical muito interessante e que estabeleceu as bases para o desenvolvimento musical ao longo dos séculos. Segundo ele, há 43 músicas catalogadas, belas canções instrumentais, e que são valorizadas na execução com a gaita de fole galega.
Buen Camino!
#pedrasdocaminho

quarta-feira, 12 de abril de 2017

A tradição centenária da Igreja Anglicana de Santos

Igreja Anglicana de Todos os Santos foi consagrada em 21 de abril de 1918

A Igreja Anglicana de Santos – que acolherá no dia 22 a apresentação de “Juntos no Caminho de Santiago” –, se insere no contexto do livro na medida em a minha peregrinação e de minha amada Sandra foi realizada pelo tradicional Caminho Inglês – e, de uma forma bastante inusitada, desde Londres!
Como se sabe, a Igreja Anglicana foi criada na Inglaterra no século XVI a partir de um processo de oposição à Igreja Católica. Contudo, diferente de outras reformas, como a Luterana e a Calvinista, que foram amparadas por teólogos contra a linha adotada pelo clero católico, a Anglicana foi protagonizada pelo rei Henrique VIII, que decidiu se desligar de Roma ao ver negado seu pedido de divórcio ao Papa Clemente VI.
Independente de eventuais perseguições aos seus seguidores, o apóstolo Saint James, ou Santiago, sempre foi reverenciado na Inglaterra, com vários templos consagrados a ele. Aliás, o primeiro registro na credencial dos peregrinos foi feito na Saint James Church de West Hampstead...
A Igreja Anglicana registra mais de um século de atuação em Santos, com a chegada, em 1914, do Reverendo Arthur W. Allan, primeiro missionário anglicano com o objetivo de fixar residência. Nos anos seguintes, com o crescimento do trabalho de evangelização e a “Missão dos Marinheiros”, foi fortalecida a ideia de construção de um templo, o que passou a se concretizar com a doação de terreno pela E. Johnaton Co. Ltd., localizado na Praça Washington Luiz, no bairro José Menino, em frente ao Orquidário.
O projeto da igreja foi realizado em 1916 pelos arquitetos Walter B. Basset-Smith e Bertie Hawkins Collcutt e é inspirado na estética anglo-normanda. Com estilo neogótico vitoriano, o templo exibe uma planta em forma de cruz latina e na parte superior externa estão quatro cruzes celtas com flor de Liz, que ressaltam a universalidade da mensagem de salvação em Jesus Cristo e a sua realeza divina.
Construída durante 1917 e 1918 pela Companhia Construtora de Santos, do engenheiro Roberto Cóchrane Simonsen, a Igreja Anglicana de Todos os Santos foi consagrada em 21 de abril 1918, com a presença do Rev. Edward Francis Every, bispo responsável pelo Cone-Sul, Falklands e Brasil.
Os belos vitrais foram fabricados pela empresa Conrado – Vitrais e Cristais Ltda. Nas paredes laterais estão os apóstolos São Pedro e São Paulo e atrás do altar, da esquerda para direita, Jesus na Via Crucis auxiliado por São Sirineu. Na nave estão os patronos das ilhas britânicas, São Jorge (Inglaterra) e São David (Gales) à esquerda, Santo André (Escócia) e São Patrício (Irlanda) à direita; e ainda, Nossa Senhora e o menino Jesus à esquerda, e Jesus Bom Pastor à direita. Completam o conjunto artístico a Rosácea no Alto da Nave no portão principal e o púlpito homenageando os Evangelistas São Mateus, São Marcos, São Lucas e São João.
O templo é equipado com um magnífico instrumento musical, um harmônio (“reed organ”) modelo Apollo, fabricado no início do século XX por Rushworth & Dreaper, de Liverpool.
No final da década de 1940, no mesmo terreno foi construída outra edificação, a casa pastoral ou moradia do reverendo, projetada por Domingues Pinto & Merlin Ltda., em estilo eclético com influência do hispânico (“missões”).
Os jardins complementam a paisagem e proporcionam um clima de paz e harmonia aos fiéis e visitantes.
Atualmente, a Igreja Anglicana de Santos tem como pároco o Reverendo Leandro Antunes Campos.
#pedrasdocaminho

Atrás do altar, vitrais mostram Jesus na Via Crucis auxiliado por São Sirineu

Projeto da igreja foi realizado em 1916 pelos arquitetos Walter B. Basset-Smith e Bertie Hawkins Collcutt e é inspirado na estética anglo-normanda

quinta-feira, 30 de março de 2017

No Dia do Descobrimento, descubra o seu Caminho!

Com texto do jornalista Nelson Tucci, o jornal Perspectiva publica em sua edição de março uma reportagem especial sobre o livro “Juntos no Caminho de Santiago, as pedras do Caminho Inglês”, de minha autoria, que será lançado em 22 de abril, a partir das 4 da tarde, na Igreja Anglicana de Santos. Você é meu convidado. Obrigado, Nelson! O texto na íntegra também está no site do jornal em www.jornalperspectiva.com.br Até lá y Buen Camino!

Nelson Tucci
Sabe aquele jornalista que conhece muito sobre o Caminho de Santiago? Pois é... as suas dúvidas ainda não terminaram. E ele resolveu partir para mais uma peregrinação rumo a outro emocionante encontro com Tiago Maior. Agora, com uma grande novidade: levou a esposa, também jornalista, Sandra Netto. O casal, afinal, descobriu seu propósito de vida?  É o que vamos saber a partir do relato das muy bien ilustradas páginas de “Juntos no Caminho de Santiago, as pedras do Caminho Inglês”.
O livro será lançado no dia 22 de abril (data do Descobrimento do Brasil), a partir das 16 horas, na Igreja Anglicana de Santos, no litoral paulista, em frente ao Orquidário Municipal, no bairro do José Menino.
O “brexit” não impediu a conexão. Ao contrário, despertou a vontade de Luiz Carlos Ferraz, em sua sexta peregrinação – sendo a primeira da mulher, Sandra – de conhecer os mistérios do Caminho Inglês a Santiago de Compostela. Uma viagem que, além das pedras do Caminho, nos sentidos literal e metafórico, acrescentou as ondas que vem e vão banhando o Golfo de Biscaia.
A fascinante rota teve seu auge na Idade Média e ficou conhecida por trazer peregrinos das ilhas britânicas para venerar as relíquias do apóstolo de Jesus, Tiago Maior, que repousam na cripta da Catedral de Santiago de Compostela.
Do planejamento à efetivação do pé na estrada sempre há vários obstáculos que precisam ser contornados, superados, incorporados, como ele conta: “Como marco do início de nossa peregrinação, escolhemos a Concatedral de Ferrol, dedicada a São Julião, e de lá, por volta das 8h40, sob uma chuva intermitente, ora fina, ora com pingos grossos e muito vento, caminhamos em direção a Neda, a meta...”.
O relato vai trazendo um misto de descrição e de informação de alto valor. O peregrino-jornalista nos traz preciosidades, como esta: “Por um instante ficamos apreciando a atual ponte de 850 metros que dá nome à cidade. Com 15 arcos, ela foi construída entre 1863 e 1870 e remodelada entre 1884 e 1888. A gótica original foi mandada construir por Fernán Pérez de Andrade, o Bo, entre 1380 e 1386, e chegou a ter 78 arcos, além de abrigar duas torres, uma capela e um hospital para peregrinos...”.
Ao avançar nas páginas o leitor realmente sente que está caminhando. “Juntos no Caminho de Santiago” parece ser muito mais uma mensagem subliminar do que propriamente uma força de expressão. Quem lê a obra caminha junto. Não há como ser diferente, pois a mística de Santiago envolve. Se contar apenas ninguém acredita; por isso é preciso parar um tempo e ler, e caminhar, e refletir, e introjetar dúvidas e exteriorizar bênçãos. Ou seria o contrário?  Descubra você mesmo.

SOBRE O AUTOR
Após realizar seis peregrinações pelo Caminho de Santiago, Luiz Carlos Ferraz tornou-se profundo conhecedor do assunto, sendo hoje o autor brasileiro que mais livros escreveu sobre o Caminho de Santiago.
O jornalista iniciou com a trilogia “Pedras do Caminho” – com livros lançados em março/2013 (“Meu Encontro no Caminho de Santiago”/Caminho Francês), em abril/2014 (“Sentido do Perdão no Caminho de Santiago”/Caminho Português) e em março/2015 (“Busca sem fim no Caminho de Santiago”/Caminho Aragonês, simultaneamente com “Descobrindo novos Caminhos”/Caminho Sanabrês).
Ainda em 2015, em outubro, lançou “Passos do Amor, A peregrinação de Francisco, de Assis a Santiago de Compostela”, e em julho/2016, “A Última Peregrinação, Lágrimas no Caminho Primitivo a Santiago de Compostela”.
Buen Camino!