quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Recuperando...

Caminho: movimento dobrou em relação a julho

Lentamente, o Caminho de Santiago se recupera... Em agosto foram contabilizados pela Oficina de Acolhida ao Peregrino da Catedral de Santiago de Compostela exatos 19.812 peregrinos (10.599 homens e 9.213 mulheres), menos de 1/3 dos 62.814 peregrinos (31.457 mulheres e 31.357 homens) registrados no mesmo mês de 2019.

Em relação ao mês anterior, contudo, o movimento dobrou, pois em julho foram recepcionados 9.752 peregrinos (5.400 homens e 4.352 mulheres) – muito aquém de julho do ano passado, com 53.319 peregrinos (27.541 mulheres e 25.778 homens).

Por outro lado, as últimas notícias de “La Voz de Galícia” informam que... “La Xunta ha extendido las restricciones del aforo de los locales y las reuniones a los municipios de Pontevedra y Ponteceso al tiempo que ha levantado estas limitaciones en gran parte de la comarca de A Coruña y en Santa Comba. Lo hace en un día en el que las cifras de evolución de la epidemia son especialmente malas tanto en la comunidad como en el conjunto de España. En Galicia se han vuelto a superar los 300 positivos diagnosticados en una jornada y son más de 4.300 los casos activos, con otras siete víctimas mortales en 24 horas, cifra que no se registraba desde principios de mayo. Solo en la residencia de O Incio son ya 17 los fallecidos, que se elevan a 671 desde el inicio de la epidemia en la comunidad. En el conjunto del país se han sumado otros 8.866 casos, 4.410 en una sola jornada, 1.728 de ellos en Madrid”.

Buen Camino!

#pedrasdocaminho

sábado, 8 de agosto de 2020

Nunca mais!

Caminho de Santiago: abatido pela pandemia

Por mais doloroso que possa ser, mas se até agora você não peregrinou o Caminho de Santiago, nunca mais saberá o que isto significa ou poderia significar em sua vida. Minha sinceridade poderá incomodar e parecer cruel. Chego a admitir que alguns, talvez muitos, passarão a me odiar por manifestar esta opinião. “Poderia ter permanecido calado”. Sim, poderia. E continuar me sufocando e fazendo planos de como haverá de ser o meu retorno.

A verdade é uma só: a pandemia, efetivamente, acabou com o Caminho de Santiago. Pelo menos do jeito que se tornou conhecido ao longo de 12 séculos.

Este é o meu sentimento após tormentosas reflexões nos últimos meses, nas últimas semanas, nos últimos dias – quando ainda é incerta uma vacina eficiente contra o novo coronavírus. Aliás, mesmo que ela venha, o que pode acontecer em setembro, outubro, ou nas eleições dos Estados Unidos, o fato é que, mesmo com uma, ou mais vacinas, independentemente de sua eficácia, muito pouco, ou quase nada se sabe sobre como é e qual será o comportamento do vírus.

2021 é Ano Jubilar. Lamentavelmente, o Caminho de Santiago vive uma tragédia. Claro que este planeta é outro e ainda é cedo para estabelecer parâmetros do “novo normal” – apenas um eufemismo para uma situação que jamais poderá ser considerada normal. Mas não me importa falar sobre as relações humanas no trabalho, no transporte, nas cidades, no dia a dia. Estou farto do noticiário.

O que me importa é o Caminho de Santiago, sobre o qual reflito e sonho (sem exagero) a cada instante. Seja de noite, e mesmo de dia, me vejo percorrendo o solo sagrado do Caminho Francês, do Português, do Aragonês, do Sanabrês, do Primitivo, do Inglês, do Lebaniego, atravessando bosques, campos de trigo, pisando nas pedras de antigas vias romanas. E após cinco, seis, sete horas de peregrinação, depois de ouvir o som do Caminho e me surpreender em encontros, desencontros e combates comigo mesmo, chegar ao albergue para ser acolhido pelo hospitaleiro, rever peregrinos, trocar experiências.

Da forma semelhante, reflito e ajo a cada instante (sem exagero) diante da pandemia, sobre os cuidados para me prevenir da contaminação do inimigo invisível. Usar máscara, manter as mãos limpas e afastadas da boca, nariz, olhos. Afinal, o vírus pode estar circulando ou estacionado em qualquer lugar e a qualquer hora. Seja no elevador do edifício, na maçaneta de alguma porta, no carrinho do supermercado, na cabine do avião, nos ambientes sob refrigeração, ou flutuando no ar que se respira nas ruas e avenidas. É interminável a lista de possibilidades.

Tenho medo do Caminho de Santiago.

Tenho medo de sair de casa.

Ouço e leio relatos sobre pessoas que foram contaminadas e tenho medo de contrair a Covid-19, ser internado às pressas com dificuldade para respirar, ser rebaixado, entubado a um respirador artificial, se houver, e passar dias, semanas, vegetando num ambiente gelado de UTI. E por algum motivo, depois do abandono total, não voltar mais para casa, para o lado de minha esposa Sandra e de meu cão Billy. E ter, enfim, a certeza de que nunca mais hei de voltar ao Caminho de Santiago; pois estarei morto e mortos não caminham.

Alegro-me, contudo, ao constatar que faço parte de uma geração que teve o privilégio de peregrinar os últimos dias do Caminho de Santiago. Sim, os últimos em que era possível viver intensamente as virtudes que permeiam a tradicional rota de peregrinação, como o amor, a amizade, a fraternidade, a solidariedade. A vontade incontida de retribuir com abraço o peregrino que te estende a mão. O beijo involuntário no hospitaleiro que te acolhe e, a pretexto de te curar as bolhas dos pés, ouve tuas aflições e te aquieta. O toque dos lábios na mão do religioso que te abençoa ou na imagem do santo ou na cruz que te conforta. O cumprimento respeitoso no morador do pueblo, que te oferece uma fruta, um copo d’água, ou apenas lhe deseja Buen Camino!

Dormi em muitos albergues, públicos e particulares, pensões, hotéis, e sei do potencial de contaminação que esses locais são capazes de proporcionar. Alguns oferecem quartos insalubres, mal ventilados, apertados, beliches amontoados, com roupas de cama nunca trocadas, e com apenas um ou dois banheiros para atender 16, 20 pessoas – quando não 50, 100. Em cada espaço é notória a falta de higiene. Muitas vezes sem hospitaleiro, fica a critério do bom senso do peregrino ao lado a manutenção da limpeza. E tudo, absolutamente tudo, acaba sendo deixado para lá; relegado a segundo ou terceiro plano, sob a alegação de que se está em peregrinação, e que se caminha sob a proteção do Apóstolo Santiago, o preferido de Jesus.

Rezemos!

Passada talvez a primeira onda da pandemia, logo após a Espanha vencer o pico das 700 mortes diárias – quando já se anunciava a retomada de atividades – era possível constatar o desespero de donos de albergues do Caminho. O sintoma da insensatez era evidente depois de mais de 100 dias sem trabalho. O convite ao peregrino revelava a disponibilização de um protocolo reduzido de segurança, aparentemente definido pelo proprietário do albergue sem qualquer controle das autoridades sanitárias. Algo como álcool em gel para as mãos; um local para colocar as botas; nenhuma referência sobre máscara; redução no número de beliches, em vez de 10, apenas oito; e muita vontade em receber o peregrino.

Tudo errado.

O apelo agoniado era para o pagamento antecipado de uma eventual estadia.

Evidente que não era possível levar a sério a pretensão de se voltar às atividades sem a definição de um modelo sanitário adequado ao Caminho de Santiago. Afinal, o faturamento sempre aconteceu na bagunça, com a casa cheia.

Paralelamente, a curva da pandemia subia de forma preocupante em vários países, como Estados Unidos e Brasil. Enquanto os americanos sofriam com 2.000 mortes diárias, o Brasil contabilizava 1.000 mortos por dia – números que aqui se mantiveram até o final de julho, quando a pandemia estacionou num elevado índice e fez com que o brasileiro passasse a ser classificado como persona non grata, em vários países, incluindo, desgraçadamente, Espanha e Portugal.

Passou a ser uma contradição continuar convidando o peregrino brasileiro. As próprias companhias áreas, operando com voos reduzidos e pressionadas pela comunidade internacional, começaram a fazer exigências severas para desmotivar uma viagem com a singela finalidade de peregrinar o Caminho de Santiago. Afinal, não se trata de uma viagem “essencial”.

Obrigado. Aviões e aeroportos estão no topo da lista entre os locais com maior risco de contaminação pelo novo coronavírus.

Cada vez mais desmascarado, o debate revelou o cinismo do interesse mercantil, na insana tentativa de sobrepujar o espírito do Caminho de Santiago, quando um esperto da Galícia fez com que a imprensa divulgasse a pretensão do Cabildo do Catedral de Santiago de Compostela de pleitear ao Papa Francisco a extensão do Ano Jubilar de 2021, o Xacobeo2021 – quando, historicamente, a busca por indulgência plenária tende a aumentar a afluência de peregrinos a Compostela. Ou seja, para que Francisco declare Santo, de forma extraordinária, o ano de 2022, embora o Dia de Santiago, 25 de julho, não venha a cair em domingo, mas numa segunda-feira. Seria uma compensação pelo anunciado fracasso financeiro.

Absurdo!

Naturalmente, um ou dois dias depois, instado a confirmar a ambição, o porta-voz do Cabildo tratou de negá-la. Mas, pelo sim, pelo não, a ideia já estava lançada; do tipo, “se colar, colou”. Por ora, não colou. E a Santa Sé está muda.

Visionário, ou buscando me manter coerente com minhas convicções religiosas, olho o Caminho de Santiago como dádiva de Deus, a oportunidade de experimentar a peregrinação ao túmulo do Apóstolo e tornar-se melhor. A ocasião para qualquer um ter a felicidade de encontrar respostas para dúvidas e necessidades espirituais.

Não vejo o Caminho de Santiago como um negócio.

Não, absolutamente, não.

O detrator será ordinário: “Sim, mas você escreve livros sobre o Caminho e ganha dinheiro” – como li num post em rede social, assinado por alguém que tentou se aproveitar da farsa de um tal “Caminho de Santiago brasileiro”.

Reitero o que já registrei neste blog, que não existe e nunca existirá Caminho de Santiago no Brasil, a famosa rota medieval de peregrinação cristã, Patrimônio Cultural de Humanidade.

Escrevi, sim (e continuarei a escrever, pois assim sou...), oito livros sobre o Caminho de Santiago. Sobre sete peregrinações que fiz, uma delas ao lado de minha esposa; e, de forma especial, sobre a peregrinação de São Francisco, desde Assis. E mais: parte da renda da venda desses livros destinei a instituição santista que cuida de crianças portadoras de paralisia cerebral, assim como a santuário franciscano e a igreja anglicana que me ajudaram na divulgação das obras.

Foi assim, com alegria e sem nenhuma pretensão de enriquecer, que compartilhei as experiências conquistadas no Caminho de Santiago e reparti os frutos gerados por elas.

Quero voltar ao Caminho de Santiago, e como quero voltar ao Caminho de Santiago. Sei que não encontrarei mais o Caminho de Santiago que conheci, pois, em harmonia com o que disse no início, este Caminho de Santiago não existe mais. Mas não sei quanto tempo, anos, décadas, durará o impacto da pandemia sobre o verdadeiro espírito do Caminho.

Por ora, como Elias (1 Reis 19, 9-11, 13), espero uma brisa tênue...

Buen Camino!

#pedrasdocaminho

sexta-feira, 17 de julho de 2020

Não é um Buen Camino!


Uso indevido do nome Caminho de Santiago numa trilha qualquer...

No Brasil dos absurdos, há quem insista em pensar que na pandemia vale tudo!
Pois, no momento em que nos aproximamos da triste marca das 80 mil mortes pela Covid-19 – o que é comparável a um atentado omissivo contra a Humanidade, no quesito Direitos Humanos –, pessoas sem noção pretendem fazer festa, no Sul do país, para cometer tipo semelhante de atentado contra a Humanidade.
No caso, a agressão é contra o Caminho de Santiago, a tradicional rota medieval de peregrinação cristã existente na Europa, e que leva às relíquias do Apóstolo de Jesus, Tiago Maior. Trata-se de um itinerário reconhecido como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.
Lamentável que a farsa está sendo anunciada e haverá de ser perpetrada – se não surgir alguém de bom senso que impeça a pantomima! – no próximo dia 25 de julho, quando é festejado o Dia de Santiago. Dia Santo na Espanha, que tem o Apóstolo como seu Patrono.
O uso indevido da denominação e das marcas do Caminho de Santiago numa trilha qualquer em Florianópolis, capital de Santa Catarina, já foi repudiado por este blog (veja o post de 28 de junho de 2017, em http://pedrasdocaminhodesantiago.blogspot.com/2017/06/farsa-em-santa-catarina.html) e mereceu a censura na época do então diretor gerente da S.A. de Xéstion do Plan Xacobeo, Rafael Sánchez Bargiela, que declarou-se indignado: “Não estamos de acordo com isso. O Caminho de Santiago é um caminho histórico, portanto, um caminho que busca recuperar as rotas que os peregrinos fizeram na Idade Média. E na Idade Média não havia peregrinos jacobeos no Brasil”.
Parem com isso!
Inventem outro nome!
Trilha do Manezinho, Trilha Preparatória...
Jamais Caminho de Santiago!
Este não é um Buen Camino!
#pedrasdocaminho

quarta-feira, 1 de julho de 2020

A saga completa em e-book!

Oito títulos sobre o Caminho de Santiago: exclusividade no portal www.amazon.com.br

No mês em que se comemora o Dia de Santiago, 25 de julho, os oito livros de minha autoria sobre o Caminho de Santiago já estão disponíveis na versão e-book com exclusividade no portal www.amazon.com.brA trilogia Pedra dos Caminho aborda as peregrinações realizadas pelos Caminhos Francês, Português e Aragonês, enquanto a série Descobrindo Novos Caminho foca as peregrinações pelos Caminhos Sanabrês, Primitivo e Inglês, incluindo ainda o resgate da peregrinação de Francisco realizada no século XII e a peregrinação pelo Caminho Lebaniego, uma rota tangencial do Caminho de Santiago.
Como diferencial das edições impressas, o formato e-book possibilitou a publicação das fotos originais coloridas, proporcionando mais dramaticidade aos relatos da peregrinação. No total são cerca de 1.000 imagens dos diferentes Caminhos de Santiago. É um presente para quem já tem a versão impressa e uma grande oportunidade de se surpreender para quem ainda não conhece a mística do Caminho de Santiago. Aos que me acompanham, revelo que já escrevo meu primeiro romance. Claro, ambientado, no sagrado Caminho de Santiago!
Buen Camino!


TRILOGIA PEDRAS DO CAMINHO

Livro 1 – Pedras do Caminho, Meu Encontro no Caminho de Santiago de Compostela

No primeiro livro, relato minha peregrinação a pé pelos cerca de 800 quilômetros do Caminho Francês, de Saint Jean Pied de Port, na França, até Compostela, na Espanha, revelando o Caminho de Santiago como um desafio possível a qualquer pessoa. Como eu, como você, como milhões de peregrinos que já trilharam o Caminho, seja por aventura, turismo, ou devoção ao Apóstolo. Como jornalista, utilizo a técnica de reportagem, por meio de observações, opiniões e entrevistas com personagens do Caminho: peregrinos, hospitaleiros, religiosos, os moradores dos inúmeros pueblos que nasceram e se mantém em função da peregrinação a Compostela. O livro pode servir de ajuda a todos que duvidam de sua força interior, pessoas de qualquer idade, classe social, religião.

Livro 2 – Sentido do Perdão no Caminho de Santiago de Compostela

No Ano Santo Compostelano de 2010, voltei ao Caminho de Santiago para peregrinar o Caminho Português, um itinerário de 240 quilômetros, desde o Porto, que foram percorridos em 10 dias. A grande diferença em relação à peregrinação feita no ano anterior, pelo Caminho Francês, é o fato de que o peregrino que realiza o Caminho em Ano Jacobeo, quando o Dia de Santiago – 25 de julho – cai num domingo, recebe indulgência plenária, como a doutrina católica denomina o perdão dos pecados.

Livro 3 – Busca sem Fim no Caminho de Santiago de Compostela

Em busca de autoconhecimento pelo místico Caminho de Santiago – que é a parábola da luta diária em busca da felicidade, ora tirando dúvidas, ora gerando questionamentos, enfim, proporcionando uma nova visão de mundo –, peregrinei o Caminho Aragonês, de Somport a Puente la Reina. No terceiro livro da trilogia Pedras do Caminho, consolida-se três momentos mágicos em minha vida: o livro de estreia, Pedras do Caminho, que revelou meu encontro comigo; o segundo, Sentido do Perdão, que ensinou a misericórdia do perdão, não só pelo que não faço, mas especialmente por aquilo de bom que deixo de realizar; e neste, Busca sem fim, que me projetou um sentimento de busca sem limites.

SÉRIE DESCOBRINDO NOVOS CAMINHOS

Livro 1 – Descobrindo Novos Caminhos, As Pedras do Caminho Sanabrês a Santiago de Compostela

Após a trilogia “Pedras do Caminho” peregrinei o Caminho Sanabrês a Santiago de Compostela. Nesta jornada, iniciei na Vía de La Plata, a partir de Zamora, um dos mansios da formidável rede de vias romanas que funcionou na Península Ibérica e está descrita no famoso Itinerário Antonino. Foram 16 dias de peregrinação, cerca de 423 quilômetros, por paisagens surpreendentes até alcançar Compostela, onde mais uma vez me surpreendi com a mística do Caminho ao me reencontrar comigo mesmo, na minha incessante busca por conhecimento, autoconhecimento, paz interior, momentos de reflexão sobre a existência, sobre o que fiz, o que faço e o que ainda pretende fazer nesta curta, porém, rica, bela, agradável... experiência de vida.

Livro 2 – Passos do Amor, A Peregrinação de Francisco, de Assis a Santiago de Compostela

Em “Passos do Amor” resgato a peregrinação feita por São Francisco no século XIII, entre 1213 e 1215, de Assis, na Itália, a Santiago de Compostela, na Espanha, logo após ter recebido autorização do Papa Inocêncio III para continuar seu trabalho evangelizador junto aos pobres, que deu origem à Ordem dos Frades Menores (OFM). A célebre peregrinação compreendeu cerca de 2.500 quilômetros e está revelada no Capítulo 4 dos “Fioretti”, os famosos relatos medievais sobre os feitos de Francisco e de seus companheiros... Para compor a obra, recriei o itinerário de Francisco e, em junho de 2014, comemorando o oitavo centenário da peregrinação, acompanhado de minha esposa, a também jornalista Sandra Luzia Netto, percorremos de trem, ônibus e carro o trajeto de Assis a Compostela, para pesquisar, fotografar e resgatar a tradição entre moradores e religiosos nas cidades por onde Francisco passou.

Livro 3 – A Última Peregrinação, Lágrimas no Caminho Primitivo a Santiago de Compostela

“A Última Peregrinação” revela a peregrinação pelo Caminho Primitivo. O Primitivo é o primeiro Caminho de Santiago, por meio do qual foi iniciado o fenômeno das peregrinações às relíquias do Apóstolo de Jesus Cristo, Tiago Maior. “Quien va a Compostela y no visita al Salvador, honra al criado y se olvida del Señor”, ensina o provérbio medieval, ao convidar os peregrinos a dirigirem-se a Oviedo, onde está localizada a Catedral de San Salvador, que guarda relíquias valiosíssimas, entre as quais o Santo Sudário. Oviedo, atual capital do Principado das Astúrias e no século IX sede do reino que se estendia por todo Norte da Península Ibérica, é o ponto de partida do Caminho Primitivo, que possui 320 quilômetros e atravessa a belíssima região da Cordilheira Cantábrica e bosques encantados da Galícia.

Livro 4 – Juntos no Caminho, As Pedras do Caminho Inglês

Em “Juntos no Caminho de Santiago” relato a peregrinação pelo Caminho Inglês em companhia de minha esposa, a também jornalista Sandra Luzia Netto. Diferente da totalidade de peregrinos que iniciam o Caminho Inglês em Ferrol ou A Coruña, na Espanha, colocamos o primeiro selo em nossa credencial de peregrino numa igreja dedicada a Saint James, em Londres. Depois fomos de trem a Paris, na França, de onde seguimos de ônibus pela Via Turonensis, passando por Tours e Bordeaux. Em seguida, alcançamos Santander, na Espanha, até chegarmos a Ferrol – de onde iniciamos a peregrinação a pé pelos 120 quilômetros do Caminho Inglês. Ao revelar esta saga em texto inédito, fui premiado no II Certame Internacional de Investigação do Caminho Inglês, promovido pelo Conselho de Oroso, na Galícia. O livro estimula o leitor a vencer desafios, estejam onde estiverem, e demonstra na prática que para trilhar um Caminho, tenha ele 1 ou 800 quilômetros, é preciso apenas dar o primeiro passo.
Leia artigo do jornalista Cristóbal Ramírez, no site La Voz de Galícia, em www.lavozdegalicia.es/noticia/santiago/santiago/2017/06/21/span-langglluiz-carlos-ferrazspan/0003_201706S21C12991.htm
Leia também a resenha feita por Cristóbal no site Periódico del Camino em www.periodicodelcamino.com/se-publica-en-brasil-un-magnifico-diario-de-peregrinos-centrado-en-el-camino-ingles/

Livro 5 – Lebaniego, Uma Rota Tangencial do Caminho de Santiago

Como não acontece em qualquer outro lugar do planeta, duas importantes rotas de peregrinação cristã se enlaçam na Cantábria, Espanha, combinando os mistérios do Caminho de Santiago e do Caminho Lebaniego. Em junho de 2017 – durante o Ano Jubilar Lebaniego –, fui buscar esse conhecimento e experimentar a energia da convergência dos Caminhos, que sintetizam a dualidade característica do Universo. Com o aprendizado de mais uma peregrinação pelo mundo jacobeo, apresento neste livro um pouco da história, tradição e lenda do Caminho Lebaniego, uma rota tangencial do místico Caminho de Santiago, e que leva ao Monastério de Santo Toríbio de Liébana, onde é guardada uma relíquia estupenda, a “lignum crucis”, o maior pedaço da cruz de Jesus Cristo!
Buen Camino!
#pedrasdocaminho

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Sentido do pecado...


Porta Santa da Catedral de Santiago: perdão e pecado

Ao se perseguir a melhor compreensão do sentido do perdão no Caminho de Santiago – após concluir a peregrinação pelo Caminho Português no Ano Santo de 2010, quando ao peregrino é concedida indulgência plenária (veja os posts anteriores) –, é importante entender a natureza daquilo que o exige, ou, a contrario sensu, o redime e o anula, qual seja, o pecado – do ponto de vista como se apresentam as coisas naturais, na dualidade do Universo, no Uno e no Verso, no branco e no preto, no belo e no feio, no gordo e no magro, no homem e na mulher, no doce e no salgado, enfim, no Yin e no Yang, no Princípio Único da Vida. Há de se considerar, especialmente, que esta dicotomia há de ser sempre relativa, jamais absoluta, na busca de equilíbrio fundamental para a nossa existência.
Se há perdão é porque houve pecado – no caso, erro, vício, imperfeição, transgressão a dogmas, regras pré-estabelecidas. Os pecados capitais, por exemplo, seguem uma ordem. E talvez não seja por acaso que nesse ranking a gula está em primeiro e a preguiça em sexto...
1º - Gula.
2º - Avareza.
3º - Luxúria.
4º - Ira.
5º - Inveja.
6º - Preguiça.
7º - Vaidade ou orgulho.
Assim, cometeria pecado maior quem come muito, se comparado ao que é preguiçoso, ou mesmo ao invejoso.
Os 10 mandamentos compõem outra lista de ações que, ao praticá-las, também estar-se-á cometendo pecado – e que, da mesma forma que no outro rol, exigirá penitência para se obter o perdão. Não deve ser por acaso que os três primeiros tratam da religiosidade de cada um:
1º - Amar a Deus sobre todas as coisas.
2º - Não usar o santo nome de Deus em vão.
3º - Lembrar o dia de domingo para santificar.
4º - Honrar pai e mãe.
5º - Não matar.
6º - Guardar castidade nas palavras e nas obras.
7º - Não roubar.
8º - Não levantar falso testemunho.
9º - Guardar castidade nos pensamentos e nos desejos.
10º - Não cobiçar as coisas do próximo.
Por tais mandamentos é possível admitir que matar é menos grave que se lembrar de santificar o domingo (aliás, o dia em que escrevo este texto...). Assim, se é possível graduar o pecado – da mesma forma como é possível graduar todos os objetos e ações, sejam as más, sejam as generosas –, também seria possível graduar o perdão. Ou não há de se admitir graduações? Não, isso talvez não faça sentido! Então, apenas para refletir, é possível, sim, graduar as ações pecaminosas. Uma relatividade que faz parte do princípio fundamental...
Isto é, aceitando essa relatividade, não se concederá perdão maior do que o tamanho do pecado. E também não se exigirá do pecador mais do que o suficiente para reparar a gravidade de seu ato. O perdão, pois, há de ser proporcional.
Muito menos se aplicará um pequeno perdão para um grande pecado. Se foi tão grande assim, a penitência para obtenção do perdão haverá de ser também gigante!!! O raciocínio terá como parâmetro a lógica, que estabelece uma pena proporcional ao crime, como ensinaram filósofos famosos, como o francês Michel Foucaut, e está estampado nos códigos penais, inclusive o brasileiro.
A pena para quem mata é maior que aquela para quem furta! Enfim, para qual ou quais tipos de pecado haverá de servir o tamanho do perdão concedido por se ter feito a peregrinação a Santiago de Compostela em Ano Santo Compostelano? Eis que a peregrinação nos demais anos, quando o dia consagrado ao Apóstolo Santiago – 25 de julho – não cai em domingo, não tem o condão da indulgência plenária...
A peregrinação a Santiago, por si só, é um movimento de dor, de reflexão e de sofrimento, ou ainda para muitos, de prazer e satisfação, dotado de começo, meio e fim – o fim junto às relíquias do Apóstolo, guardadas na cripta da Catedral de Santiago de Compostela, e a obtenção da Compostela (só entregue a quem peregrinou a pé ou a cavalo os últimos 100 quilômetros até Santiago, ou de bicicleta, os últimos 200 quilômetros).
O perdão será concedido ao peregrino no Ano Santo Compostelano por quem representa a autoridade divina e é responsável em conceder tal graça. Ao proporcionar o perdão, por outro lado, estar-se-á estabelecendo uma espécie de contrato – entre o perdoante e o perdoado –, de que o erro foi anulado (ainda que aparentemente ele não tenha sido reparado), não existe mais, sendo que o perdoado se livrou dele também com o compromisso de não repetí-lo.
Mas, o que aconteceria no caso de uma reincidência: o perdão anterior somar-se-ia ao novo, tornando sem efeito o primeiro perdão? Seria necessário, por exemplo, outra peregrinação a Santiago de Compostela no Ano Santo seguinte?
É o caso, no dito popular, de se estabelecer um preço ao perdão... o que me faz lembrar do poeta Vinícius de Moraes em seu “Samba da Volta”, no qual frisa que “o perdão pediu seu preço”.
Para quem não lembra:
“Você voltou, meu amor. Alegria que me deu.
Quando a porta abriu, você me olhou, você sorriu, ah, você se derreteu!
E se atirou, me envolveu, me brincou, conferiu o que era seu.
É verdade, eu reconheço, eu tantas fiz, mas agora tanto faz!
O perdão pediu seu preço; meu amor, eu te amo e Deus é mais”.
Afinal, a prática cristã ensina que o pecado cometido por qualquer pessoa pode ser perdoado por Deus, por conta do sacrifício feito por Jesus em sua morte.
Porém, como está na Bíblia, é possível admitir o pecado imperdoável, ou pecado eterno, aquele que impede a salvação do pecador. Um exemplo de pecado imperdoável é “blasfemar contra o Espírito Santo”.
Está em Marcos 3:28-30: “Em verdade vos digo: Que aos homens serão perdoados todos os pecados, e as blasfêmias que proferirem; mas quem blasfemar contra o Espírito Santo, nunca mais terá perdão, pelo contrário é réu de um pecado eterno.»
Em Mateus 12:31-32: “Por isso vos declaro: Todo o pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens, mas a blasfêmia contra o Espírito Santo não lhes será perdoada. Ao que disser alguma palavra contra o Filho do Homem, isso lhe será perdoado; porém, ao que falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste mundo, nem no vindouro.”
Em Lucas 12:8-10: “Digo-vos ainda: Todo aquele que me confessar diante dos homens, também o Filho do homem o confessará perante os anjos de Deus; mas o que me negar diante dos homens, será negado perante os anjos de Deus. Todo aquele que proferir uma palavra contra o Filho do Homem, isso lhe será perdoado; mas o que blasfemar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado.”
São Tomás de Aquino, que prestou relevante contribuição à filosofia do Cristianismo, listou seis tipos de blasfêmias ao Espírito Santo, que seriam capazes de caracterizar o pecado eterno; admitindo, porém, o perdão por meio do milagre. Ah, o milagre...
1º - Acreditar que a própria maldade humana é maior do que a bondade divina.
2º - Desejar obter a glória da salvação sem ter méritos (ainda que haja arrependimento no leito de morte), ou perdão sem arrependimento.
3º - Resistir em conhecer a verdade.
4º - Invejar o bem espiritual alcançado pelo próximo.
5º - Vontade específica de não se arrepender de um pecado.
6º - Preso ao seu pecado, estar imune à ideia de que o bem existe dentro de si.
A questão é acreditar ou acreditar.
Aliás, quando é mesmo o próximo ano em que 25 de julho cai num domingo?
Em 2021.
Buen Camino!
#pedrasdocaminho
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