sábado, 14 de novembro de 2015

Em busca de misericórdia!

“Passos do Amor” na Porta Santa da Catedral de Santiago de
Compostela, na Praza de La Quintana

Digerindo a tragédia...

Domingo, 13 de dezembro, o Arcebispado de Santiago de Compostela abrirá a Porta Santa da Catedral – para marcar o Jubileu da Misericórdia que começará, oficialmente, em 8 de dezembro, Dia da Imaculada Conceição. O Jubileu é o tema da bula “Misericordiae Vultus”, algo como “procurando misericórdia”, divulgada em 11 de abril pelo Papa Francisco, que em 2016 beneficiará com indulgência plenária os peregrinos a Santiago de Compostela, antecipando o Ano Santo Compostelano de 2021 – quando o Dia de Santiago, 25 de julho, coincidirá com domingo.

Bula “Misericordiae Vultus” foi revelada aos cardeais em 11 de abril, no Vaticano

A bem da verdade, não haverá a necessidade de o católico peregrinar a Santiago de Compostela para obter o perdão dos seus pecados, pois em 2016 esta graça será concedida em muitos outros lugares do mundo, como visitando a Catedral da Almudena, em Madri, ou o Santuário da Imaculada Conceição, em Lourdes. Ou ainda, indo à Catedral de Santos dedicada a Nossa Senhora do Rosário, conforme divulgado oficialmente pela Diocese de Santos, no litoral de São Paulo; ou também ao Santuário Santo Antônio do Valongo, cuja Porta Santa será aberta no domingo 13 de dezembro, às 8 horas, segundo anunciou o reitor, frei André Becker.
Leia o que determinou o Papa:
“Há momentos em que somos chamados, de maneira ainda mais intensa, a fixar o olhar na misericórdia, para nos tornarmos nós mesmos sinal eficaz do agir do Pai. Foi por isso que proclamei um Jubileu Extraordinário da Misericórdia como tempo favorável para a Igreja, a fim de se tornar mais forte e eficaz o testemunho dos crentes”, diz Francisco na apresentação da bula “Misericordiae Vultus”.
No caso de Santiago de Compostela, não deverá ser a primeira vez que a Porta Santa da Catedral, com acesso pela Praza de La Quintana, será aberta fora de ano jacobeo. Segundo apurei no portal Xacopedia, há informações sobre outros 60 jubileus extraordinários, determinados por motivos diversos, como início de um pontificado, aniversários importantes da Igreja, fim de alguma guerra etc. O primeiro foi convocado pelo Papa Sisto V em 1585 e os dois anteriores ao do Papa Francisco o foram pelo Papa João Paulo II. Efetivamente, não consegui apurar se em todos esses 60 jubileus a Porta Santa permaneceu aberta. Pela lógica, creio que sim!
Numa tremenda coincidência... não, absolutamente, coincidência não é a melhor palavra para definir o que acontece..., mas enfim, rolando de alegria... no mesmo dia em que fui alertado por minha irmã santiaguense Carmen Vásquez Nolasco para a bula de Francisco – o que, deste vez, significará que a Porta Santa da Catedral estará aberta em junho do ano que vem, quando lá estarei com minha Sandra ao final de nossa peregrinação pelo Caminho Inglês... –, recebi fotos do frei Enrique Roberto Lista García (que conheci junto com Sandra em 2014 na Igreja de São Francisco de Santiago de Compostela, ao final de nossa viagem desde Assis, perseguindo os passos de Francisco...). Em 36 imagens, que também postou no Facebook, frei Enrique mostra seu exemplar de “Passos do Amor” em lugares emblemáticos da Cidade Santa. E um desses lugares é exatamente em frente à Porta Santa da Catedral!
Ao agradecer tamanho carinho e consideração, comentei com frei Enrique a abertura da Porta Santa da Catedral de Santiago em 2016, ao qual me respondeu alertando para a dimensão mundial do ato do papa: “Francisco pide que haxa en cada Diocese un lugar que teña a Porta da Misericordia como símbolo e expresión do perdón”.
Sim, em Santos teremos de ter esta expressão, não só na Catedral como também no Santuário Santo Antônio do Valongo. Afinal, confira o que o papa determinou em “Misericordiae Vultus”, logo após informar que, após o início do Jubileu, no domingo seguinte (13), abrir-se-á a Porta Santa da Catedral de Roma, a Basílica de São João de Latrão – a mesma data que deverá ser adotada em Santiago de Compostela:
“Sucessivamente serão abertas as Portas Santas em outras Basílicas Papais. Para o mesmo domingo estabeleço que em cada Igreja local, na Catedral que é a Igreja-Mãe para todos os fiéis, ou na Concatedral (igreja com esta categoria) ou em uma igreja de significado especial se abra durante todo o Ano Santo uma idêntica Porta da Misericórdia”.
Francisco acrescenta: “Ao juízo comum, ela poderá ser aberta também nos Santuários, meta de tantos peregrinos que nestes lugares sagrados com frequência são tocados no coração pela graça e encontram o caminho da conversão. Cada Igreja local, então, estará diretamente comprometida a viver este Ano Santo como um momento extraordinário de graça e de renovação espiritual. O Jubileu, portanto, será celebrado em Roma assim como nas Igrejas locais como um sinal visível da comunhão de toda a Igreja”.
Sim, a busca é sem fim!
#pedrasdocaminho

Fila para entrar pela Porta Santa da Catedral de Santiago de Compostela, em 2010, Ano Jacobeo,
após peregrinar o Caminho Português: leia o segundo volume da trilogia Pedras do Caminho,
“Sentido do Perdão no Caminho de Santiago”

Em junho passado, ao final de minha peregrinação pelo Caminho Primitivo:
Porta Santa da Catedral fechada...

Foto de 2013, ao final de minha peregrinação pelo Caminho Sanabrês, o detalhe no
alto da Porta Santa: Santiago ladeado pelos discípulos Atanásio e Teodoro

 “Passos do Amor” no mausoléu de Cotolay, no Convento de São Francisco:
carvoeiro recepcionou o "poverello" em sua peregrinação à Santiago de Compostela e
fundou o convento franciscano na Cidade Santa

 “Passos do Amor” na Praza do Obradoiro, marco de 23/10/1987, do Conselho de
Europa, que declarou o Caminho de Santiago “Itinerário Cultural Europeu”

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Santos recepciona Relíquia de São Francisco!

A Ordem Franciscana Secular (OFS) Valongo divulgou a programação de visita à Relíquia e Imagem Peregrina de São Francisco de Assis, que acontecerá de terça-feira (10) a quinta-feira (12) no Santuário Santo Antônio do Valongo, no Largo Marquês de Monte Alegre, 13, no Centro Histórico de Santos.
“A Relíquia é um fragmento de osso de São Francisco, o santo da Paz e do Bem”, informa a OFS: “Queremos reacender a chama da nossa missão evangelizadora em momentos fortes de oração e de reflexão para que o mesmo espírito que inspirou Francisco nos converta em agentes de transformação”.
PROGRAMA
10/11/2015 (terça-feira)
15h00 – Missa celebrada pelo reitor do Santuário, frei André Becker, para recepção da Relíquia e abertura do Ano Jubilar dos 375 anos da Fraternidade “OFS Valongo”.
•16h00 – Exposição da Relíquia.
•17h00 – Oração Franciscana.
•19h00 – Missa na Paróquia Nossa Senhora da Assunção, no Largo São Bento, s/nº, no Morro São Bento.
11/11/2015 (quarta-feira)
•09h00 – Exposição da Relíquia.
•10h30 – Oração Franciscana.
•12h00 – Missa celebrada pelo bispo diocesano de Santos, Dom Tarcísio Scaramussa.
•14h00 – Oração Franciscana.
•15h00 – Cine Sacristia, com exibição do filme “Irmão Sol, Irmã Lua” (121 min.).
•18h30 – Oração do Terço.
•19h30 – Missa de Louvor, celebrada pelo frei Rozântimo Costa.
12/11/2015 (quinta-feira)
•09h00 – Exposição da Relíquia.
•10h30 – Oração Franciscana.
•12h00 – Missa.
•14h00 – Oração Franciscana.
•15h00 – Cine Sacristia – Exibição do documentário “Home – Nosso Planeta, Nossa Casa” (90 min.).
•18h30 – Celebração Ecumênica, com encenação da vida de São Francisco de Assis, "O Pobre de Deus", dirigida por Alexandre Camilo.
•20h00 – Mesa-Redonda “São Francisco Peregrino”, com a participação de Luiz Carlos Ferraz (“Peregrinação de São Francisco a Santiago de Compostela”), Fernando Gregório (“Relíquia: história e contexto”) e frei Hipólito Martendal (“São Francisco: Laudato Si’”).
•21h30 – Café fraterno no claustro da OFS.

sábado, 24 de outubro de 2015

“Passos do Amor” hoje e amanhã na TV

Entrevista a Flavio Righi: https://vimeo.com/143409389

Na TV Com (Canal 11 NET) hoje (24), às 21 horas – com reprise amanhã, às 9h45 –, e na Santa Cecília TV (Canal 13 NET), amanhã, às 12 horas, “Passos do Amor – A Peregrinação de Francisco, de Assis a Santiago de Compostela” está no programa “Em Foco / Jornal da Orla”, apresentando pelo amigo jornalista Flavio Righi. Ainda na Santa Cecília TV haverá reprises na segunda-feira, às 22 horas, e na sexta-feira, às 18 horas.
Se perder, tudo bem: veja no link https://vimeo.com/143409389

#pedrasdocaminho

Tradução livre da homilia...

Tradução livre da homilia pronunciada pelo frei Michael Perry, Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores (OFM) – leia o original no post abaixo... –, em 19 de outubro passado, na missa de abertura da Assembleia Geral da UFME (Union de Frailes Menores de Europa), em Dubrovnik, na Croácia, encerrada hoje.

Caros irmãos, O Senhor lhes dê a paz!

"Então disse: ‘Já sei o que vou fazer. Vou derrubar os meus celeiros e construir outros maiores, e ali guardarei toda a minha safra e todos os meus bens.
E direi a mim mesmo: Você tem grande quantidade de bens, armazenados para muitos anos. Descanse, coma, beba e alegre-se’.” (Lc 12,18-19).

Talvez ninguém tenha notado que o homem da parábola é completamente sozinho. Não há ninguém em volta, ninguém com quem possa compartilhar os seus pensamentos, suas dificuldades, suas esperanças e sonhos. Não há nem mesmo alguém com quem compartilhar a riqueza material que ele tem acumulado ao longo do tempo, ninguém que possa preencher de carinho e bondade. "E direi a mim mesmo...". Na era dos selfie este homem é um verdadeiro campeão!
Qual é a mensagem desta parábola? Quais valores quer nos oferecer, discípulos do Senhor ressuscitado? O que quer dizer a nós, Frades Menores, aqui reunidos para o encontro das Conferências Europeias da UFME? Quais desafios põe diante de nós e diante dos irmãos dessas regiões da Europa e de toda a Fraternidade universal?
Durante o Capítulo Geral temos centrado nossa atenção sobre as diversas formas de crise que, como Fraternidade evangélica universal, estamos atravessando. Temos dedicado muito tempo e energia para analisar a crise econômica da Cúria geral, do seu declínio, do envelhecimento e do abandono da Ordem. Entre todas estas formas de crises examinadas surgiram três muito precisas e profundas, que se revelam como verdadeiras ameaças à nossa identidade espiritual, fraterna e missionária.
A primeira é a crise de identidade, que surge da parábola do rico proprietário de terras. Se o único ponto de referência nas áreas de nossa vida que realmente importa é nós mesmos, nossos próprios projetos pessoais e o desenvolvimento de estratégias para alcançar estes projetos individuais, então seremos franciscanos que só falam de si mesmos. Vamos nos agarrar ao braço do rico proprietário de terras, que, em seu ato egoísta de se tornar um campeão de selfie, empurra Deus em direção à margem e se põe ao centro.
Podemos traduzir a crise de identidade em uma crise de fé. O homem descrito na parábola não acredita que Deus é o centro de sua vida; não acredita que Deus está por trás da abundância de suas colheitas e de todos os bens que acumula; já não acredita em Deus. É o único para o qual vão todos os elogios e agradecimentos. No coração deste homem há um silêncio ensurdecedor: o silêncio que flui de uma vida sem espírito de gratidão, sem humildade e sem amor.
SEGUNDA: Quando nós colocamos no centro da nossa vida e nosso trabalho, participamos de maneira efetiva na fabricação de ídolos, perante os quais temos de prostrar-se para adoração, e para os quais precisamos construir celeiros maiores, onde podemos guardá-los. Na era da Internet, da gratificação instantânea e do individualismo desenfreado há esta ameaça cada vez maior: construir, por parte de nossas Províncias e Custódias, celeiros virtuais ou de outra forma para os quais nos retirarmos mentalmente, psicologicamente e emocionalmente. Consequentemente, existe o perigo de sacrificar a preciosidade da vida com e para os irmãos e os demais, substituindo-a por uma vida de solidão. Como surgiu durante o Capítulo Geral, os irmãos que se deixam seduzir por essas falsas promessas e ilusões acabam por "divorciar-se” de toda relação humana, como o homem da parábola.
Papa Francisco nos recorda, a este respeito: "Quando a vida interior se enclausura nos próprios interesses, não há espaço para os outros, já não entram os pobres, já não se escuta a voz de Deus, já não se goza a doce alegria do seu amor, já não palpita o entusiasmo por fazer o bem". (Evangelii Gaudium, par. 2).
Quantos de nossos irmãos já estão vivendo uma vida onde não se ouve a voz de Deus, já não se desfruta a doce alegria de seu amor, não palpita o entusiasmo de fazer o bem? Quantos de de nossos irmãos já estão divorciados emocionalmente, psicologicamente, espiritualmente e efetivamente dos irmãos da própria fraternidade, da Província e da Ordem?
E, pior ainda, somos capazes de diagnosticar esses sintomas que levam à morte e tomar medidas concretas para enfrentá-los?
O terceiro tipo de crise é a crescente distância entre nós, os Frades Menores, e a vida de nossos irmãos e irmãs que estão em condição de pobreza material, social e de qualquer outro tipo. Nossos "celeiros", o estilo de vida e as estruturas mentais que construímos para nos proteger de ameaças externas refletem a falsa sensação de segurança por trás da qual tentamos nos esconder. "Minha alma, tens bens armazenados para muitos anos; descansa, come, bebe, festeja alegremente" (Lc 12,19).
E assim, gradualmente perdemos a capacidade de experimentar a autêntica conversão. Perdemos a capacidade de crescer em compaixão, de entrar na dor e no desespero, nas alegrias e nas esperanças daqueles que nos rodeiam, especialmente daqueles que estão mais necessitados de amor e reconhecimento. Sem nos darmos conta que, ao final, escolhemos o caminho que leva à morte e não à vida.

Buscamos consolo no sentido de auto-sacrifício; procuramos proteção frente aos riscos que tem que ser corrido pelo bem do Reino de Deus e de seu povo. Para isso, Jesus responde: "Tolo! Esta noite te pedirão a tua alma; e de quem será o que tens preparado? Assim é o que guarda como tesouro para si, e não é rico para com Deus". (Lc 12, 20-21).

Queridos irmãos, somos chamados a ser missionários da misericórdia e portadores da alegria do Evangelho. Somos chamados a viver e compartilhar com todos o dom do encontro, pessoalmente e como irmãos, o Deus de amor e de misericórdia, “que dá um novo horizonte à vida e, com ele, um rumo decisivo" (EG 7).

Se colocarmos Deus no centro, descobriremos que podemos nos tornar plenamente humanos e vivos. Deus, portanto, "pode ​​nos levar além de nós mesmos para alcançar o nosso ser mais verdadeiro" (EG 8).

Quando isso acontece, descobrimos a renovada capacidade de perdoar uns aos outros, nos encontramos com a disponibilidade de trabalhar juntos pelo Reino de Deus, reacendendo o desejo de ir às periferias do mundo, com humildade e simplicidade, de modo a descobrir o que é mais querido a Deus, que dá a vida e que inspira valor e esperança.

Lucas na Assembleia Geral da UFME

Assembleia Geral da Union de Frailes Menores de Europa

“Na era dos selfie este homem é um verdadeiro campeão!”
Esta é a mais recente singela interpretação de Lucas 12,18-19:

"Então disse: ‘Já sei o que vou fazer. Vou derrubar os meus celeiros e construir outros maiores, e ali guardarei toda a minha safra e todos os meus bens.
E direi a mim mesmo: Você tem grande quantidade de bens, armazenados para muitos anos. Descanse, coma, beba e alegre-se’.”

Hoje (24) encerra a Assembleia Geral da UFME (Union de Frailes Menores de Europa), em Dubrovnik, na Croácia. Muito inspiradora a homilia pronunciada pelo frei Michael Perry, Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores (OFM), na missa de abertura do evento, no dia 19... Leia no original e inspire-se:

Queridos hermanos, ¡El Señor os dé su paz!

“Haré lo siguiente: derribaré los graneros y construiré otros más grandes, y almacenaré allí todo el trigo y mis bienes. Y entonces me diré a mí mismo: Alma mía, tienes bienes almacenados para muchos años; descansa, come, bebe, banquetea alegremente” (Lc 12,18-19).

Tal vez nadie se ha dado cuenta de que el hombre de la parábola está completamente solo. No hay nadie a su alrededor, nadie con quien pudiera compartir sus pensamientos, sus dificultades, sus esperanzas y sus sueños. Ni siquiera hay alguno con quien compartir la riqueza material que ha acumulado a través del tiempo, ninguno al que pueda llenar de afecto y bondad. “Y entonces me diré a mi mismo…”. ¡En la era de los selfie este hombre es un verdadero campeón!
¿Cuál es el mensaje de esta parábola? ¿Qué valores nos quiere ofrecer a nosotros, discípulos del Señor resucitado? ¿Qué nos quiere decir a nosotros, Hermanos Menores, reunidos aquí para el encuentro de las Conferencias Europeas, de la UFME? ¿Qué desafíos nos pone ante nosotros y ante los hermanos de estas regiones de Europa y a toda la Fraternidad universal?
Durante el Capítulo general hemos centrado nuestra atención sobre las diversas formas de crisis que como Fraternidad evangélica universal estamos atravesando. Le hemos dedicado mucho tiempo y energía a analizar la crisis económica de la Curia general, de la disminución, del envejecimiento y de los abandonos de la Orden. Entre todas estas formas de crisis examinadas han surgido tres muy precisas y profundas, que se revelan como verdaderas amenazas para nuestra identidad espiritual, fraterna y misionera.
La PRIMERA es la crisis de identidad, que surge de la parábola del rico terrateniente. Si el único punto de referencia en las áreas de nuestra vida que verdaderamente importa somos nosotros mismos, nuestros propios proyectos personales y el desarrollo de estrategias para lograr estos proyectos individuales, entonces vamos a ser franciscanos que unicamente hablan de sí mismos. Nos agarraremos del brazo del rico terrateniente, quien, en su acto egoísta de convertirse en un campión del selfie, empuja a Dios hacia la orilla y se pone en el centro.
Podemos traducir la crisis de identidad en una crisis de fe. El hombre descrito en la parábola no cree que Dios es el centro de su vida; no cree que Dios está detrás de la abundancia de sus cosechas y de todos los bienes que acumula; ya no cree en Dios, el único al que van todas las alabanza, elogios y agradecimientos. En el corazón de este hombre hay un silencio ensordecedor: el silencio que fluye de una vida sin espíritu de gratitud, sin humildad y sin amor.
SEGUNDO: cuando nos poneos en el centro de nuestra vida y nuestro trabajo, participamos de manera efectiva en la fabricación de ídolos, ante los cuales hay que postrarse en adoración, y para los cuales necesitamos construir graneros más grandes, en donde podamos custodiarlos. En la era del Internet, de la gratificación instantánea y del individualismo desenfrenado hay esta amenaza cada vez mayor: construir, por parte de nuestras Provincias y Custodias, graneros virtuales o de otro tipo en los cuales retirarse mentalmente, psicológicamente y afectivamente. En consecuencia, existe el peligro de sacrificar la preciosidad de la vida con y para los hermanos y los demás, sustituyéndola con una vida de soledad. Como surgió durante el Capítulo general, los hermanos que se dejan seducir por estas falsas promesas e ilusiones terminan por “divorciarse” de toda relación humana, al igual que el hombre de la parábola.
El Papa Francisco nos recuerda, a este respecto: «Cuando la vida interior se clausura en los propios intereses, ya no hay espacio para los demás, ya no entran los pobres, ya no se escucha la voz de Dios, ya no se goza la dulce alegría de su amor, ya no palpita el entusiasmo por hacer el bien». (Evangelii gaudium, par. 2).
¿Cuántos de nuestros hermanos ya están viviendo una vida en la que no se oye la voz de Dios, ya no se disfruta la duce alegría de su amor, no palpita el entusiasmo de hacer el bien? ¿Cuántos de nuestros hermanos ya se han divorciado emocionalmente, psicológicamente, espiritualmente y efectivamente de los hermanos de la propia fraternidad, de la Provincia y de la Orden?
Y, peor aún, ¿somos capaces de diagnosticar estos síntomas que conducen a la muerte y adoptar medidas concretas para hacerles frente?
El TERCER tipo de crisis es la distancia creciente entre nosotros los Hermanos Menores y la vida de nuestros hermanos y hermanas que se encuentran en condiciones de pobreza material, social y de cualquier otro tipo. Nuestros “graneros”, el estilo de vida y las estructuras mentales que construimos para protegernos de las amenazas externas reflejan el falso sentido de seguridad detrás del cual tratamos de ocultarnos. «Alma mía, tienes bienes almacenados para muchos años; descansa, come, bebe, banquetea alegremente» (Lc 12,19).
Y, de esta manera, poco a poco perdemos la capacidad de vivir la auténtica conversión. Perdemos la capacidad de crecer en la compasión, de entrar en el dolor y la desesperación, en las alegrías y en las esperanzas de quienes nos rodean, especialmente de los que están más necesitados de amor y de reconocimiento. Sin darnos cuenta, que al final elegimos el camino que conduce a la muerte y no a la vida.

Buscamos consuelo en el sentido de auto-sacrificio; buscamos protección frente a los riesgos que hay que correr por el bien del Reino de Dios y de su pueblo. A esto, Jesús responde: «¡Necio! Esta misma noche te van a reclamar el alma y, ¿de quién será lo que has preparado? Así es el que atesora para sí, y no es rico ante Dios» (Lc 12,20-21).

Queridos hermanos, estamos llamados a ser misioneros de la misericordia y portadores de la alegría del Evangelio. Estamos llamados a vivir y compartir con todos el don del encuentro, personalmente y como hermanos, el Dios de amor y de misericordia, «que da un nuevo horizonte a la vida y, con ello, una orientación decisiva»(EG 7).

Si ponemos a Dios en el centro, descubriremos que podemos llegar a ser plenamente humanos y vivos. Dios, por tanto, «nos puede llevar más allá de nosotros mismos para alcanzar nuestro ser más verdadero»(EG 8).
Cuando eso sucede, descubrimos la renovada capacidad de perdonarnos mutuamente, nos encontramos con la disponibilidad de trabajar juntos por el Reino de Dios, reavivando el deseo de ir a las periferias del mundo, en humildad y sencillez, de manera de poder descubrir lo que le es más querido a Dios, lo que da vida y lo que infunde valor y esperanza.

#pedrasdocaminho