terça-feira, 28 de abril de 2015

12 séculos de peregrinação

Cruz símbolo do Reino das Astúrias

Neste momento em que conto dias para o embarque a Madri, e de lá a Oviedo, desde onde inicio minha peregrinação, ops, tudo bem, não tenho dúvida de que já estou no Caminho!, que ele iniciou no exato momento em que decidi a peregrinação, mas, enfim..., falava sobre Oviedo, na Espanha, desde onde inicio minha peregrinação pelo Caminho Primitivo a Santiago de Compostela, um percurso de cerca de 310 quilômetros, refazendo o roteiro do rei Alfonso II, o Casto, realizado no primeiro terço do século IX, segundo conta a tradição, embora alguns autores sustentem ter ocorrido exatamente em 812, 813, ou mesmo em 815 – o que pode significar que em 2015 estaríamos completando 1.200 anos! –, ou em 820..., enfim, desde Oviedo, para repetir a viagem do guerreiro rei das Astúrias (região que envolvia a Galícia e foi a primeira na Península Ibérica que se libertou do domínio dos mouros, dando ânimo ao processo da Reconquista...), que deixou a sede do reino até o local onde a autoridade eclesiástica representada pelo bispo Teodomiro, de Iria Flávia, alertado pela descoberta do eremita Pelágio, ou Paio, havia identificado no bosque de Libredón um sepulcro de pedra com três corpos, o do apóstolo de Jesus, Tiago Maior, e de dois dos seus discípulos Teodoro e Atanásio...
Para quem acompanha cada detalhe deste relato não há de ter dúvida que se está diante não só do primeiro, de onde deriva seu nome, Primitivo, mas, talvez – afinal a comparação é muito difícil –, do mais interessante, do mais espetacular... (do mais antigo com absoluta certeza), dentre os Caminhos que levam a Santiago de Compostela, sem querer desmerecer o Caminho Francês, o preferido dos peregrinos atuais, ou a Vía de la Plata, que vem desde Sevilha e está alicerçado (como aliás outros também estão) na magnífica rede de vias romanas, descrita no Itinerarium Provinciarum Antonini Augusti, o Itinerário de Antonino, consolidada nos primeiros séculos da era cristã...
Mas, voltando ao Caminho Primitivo, conta a tradição que após peregrinar até o local indicado pelo bispo Teodomiro, tornando-se assim o primeiro peregrino às relíquias de Santiago, o rei Alfonso II das Astúrias determinou a construção de uma pequena igreja – que viria a ser ampliada nas décadas seguintes até transformar-se na magnífica catedral de hoje, cuja construção iniciou em 1075, e onde em sua cripta repousam as relíquias... Pois foi a partir do incrível achado que teve início o fenômeno das peregrinações. E não apenas desde Oviedo, mas induzindo rotas de vários pontos da Europa, como se disse, quase sempre aproveitando e reconstruindo a antiga rede de vias romanas, o que serviu para repovoar o antigo assentamento romano, possivelmente um mansio, que passou a se chamar Santiago de Compostela, tornando-se a terceira maior rota de peregrinação cristã do planeta, superada apenas por Jerusalém e Roma.
Para reforçar sua convicção nesta tradição, veja este interessante vídeo de 7m45’. Clique na foto:


Discípulos trazem o corpo de Tiago Maior...

Diante de tudo isso, neste momento, como já disse, em que conto dias, me pergunto por qual motivo o Primitivo não foi minha primeira escolha para o meu encontro no Caminho de Santiago? Fácil, não conhecia este Caminho. Afinal, ao decidir peregrinar em 2009 a Santiago, fui inspirado a fazer os 800 quilômetros do Caminho Francês, desde Saint Jean Pied de Port, disposto a atravessar os Pirineus, da França a Espanha. Escolhi o Francês pelo fato de ser o mais famoso, o mais celebrado, o mais estruturado, aquele que serviu de cenário para a famosa ficção de Paulo Coelho... Mas, então, porque não foi o segundo? Da mesma forma, ainda não conhecia o Primitivo – se é que isso é possível! Minha segunda peregrinação foi pelo Caminho Português, em 2010, desde a cidade do Porto, cerca de 240 quilômetros até Santiago. E, depois, em 2012, porque não foi o meu terceiro Caminho a Santiago? Ora, continuava a ignorar o Primitivo. E, diante das opções avaliadas, escolhi enfrentar os cerca de 180 quilômetros do Caminho Aragonês, no trecho entre Somport, nos Pirineus, a Puente la Reina, onde ele se encontra com o Caminho Francês (atualmente, a bem da verdade, o encontro acontece alguns quilômetros antes, em Obanos...).
Meu despertar ao Caminho Primitivo só viria a acontecer, de forma efetiva, após concluir a peregrinação pelo Caminho Aragonês, quando revisava e escrevia textos para “Busca sem fim”, o terceiro livro da trilogia “Pedras do Caminho”. Conheci o Primitivo em meio a tantas novas informações sobre a mística do Caminho de Santiago, entre as quais, o conceito de rotas tangenciais, uma tendência secular de antigos peregrinos que se desviavam dos caminhos tradicionais para celebrar relíquias e santuários; eu mesmo tendo adotado uma rota tangencial, sem ter a dimensão do que fazia, em 2009, ao sair do tradicional Caminho Francês e ir ao encontro da Ermita de Eunate, um dos marcos dos cavaleiros da Ordem do Templo no Caminho Aragonês, e, em 2012, ao deixar o tradicional Caminho Aragonês e seguir até o Monastério Real de San Juan de la Peña, onde, segundo a tradição, durante alguns séculos ficou guardado o Santo Graal...
Neste momento, aliás, tive a dimensão de que nada, ou muito pouco sabia sobre o Caminho de Santiago – afinal, são 12 séculos de história da famosa rota de peregrinação!!! Desde então uma máxima do Caminho passaria a me perseguir:
Quien va a Compostela y no visita al Salvador, honra al criado y olvida al Señor.
A frase refere-se a Oviedo, onde está a Catedral de El Salvador, cuja Câmara Santa guarda inúmeras relíquias, como a Cruz dos Anjos, doação de Afonso II e símbolo de Oviedo; a Cruz da Victória, doação de Afonso III (século X), símbolo das Astúrias; e, com certeza a mais importante, uma das duas peças do Santo Sudário, a que protegeu a cabeça de Jesus após sua crucificação... – a outra, que abrigou o corpo de Jesus, está em Turim, na Itália.
Aliás, é levando ao pé da letra a célebre frase que persegue o Caminho desde o período da Alta Idade Média que muitos peregrinos do Caminho Francês, quando chegam a León, adotam uma rota tangencial, denominada Caminho Salvador, com cerca de 100 quilômetros, e seguem direto a Oviedo, para demonstrar que não, não esquecem o Salvador...
Ora, se já sabia tudo isso em 2012, qual a razão de o Caminho Primitivo não ter sido a minha escolha natural em 2013, quando realizei minha quarta peregrinação, desta vez pelo Caminho Sanabrês? Boa pergunta. Mas, estou tranquilo para repetir os argumentos que articulei ao relatar o belo percurso, passo a passo, etapa por etapa (e foram 16!), no livro “Descobrindo novos Caminhos”, lançado em março passado na Pinacoteca Benedicto Calixto, em Santos, no litoral do estado de São Paulo. Sim, assumi o desafio de peregrinar os cerca de 420 quilômetros do Caminho Sanabrês, iniciado na verdade de Zamora, ainda na Vía de la Plata, porque este Caminho, como o Francês e o Português, chega direto a Santiago de Compostela. Ou seja, é diferente, por exemplo, do Aragonês, que, como disse, se encontra com o Francês em Puente la Reina (hoje, um pouco antes, em Obanos...), seguindo juntos para Santiago de Compostela. É diferente também da Vía de la Plata, que se encontra com o Francês em Astorga... É diferente ainda do Caminho do Norte, que se encontra com o Francês em Arzúa... E é diferente do Primitivo, que se encontra com o Francês em Mélide...
Hoje, superado esse detalhe – e já de olho no Caminho Inglês (que continua um segredo para mim e um dos que chega direto a Santiago de Compostela...) – agora é a vez do Caminho Primitivo. É tarde? Não acredito. Nem cedo, nem tarde, a energia do Caminho Primitivo entrará na minha vida no momento certo, numa circunstância muito especial, no qual me considero preparado para mais este esforço, não só físico e mental, mas especialmente pelo volume de conhecimento que adquiro nas pesquisas históricas que faço sobre a formação e a importância do reino das Astúrias..., um esforço que interpreto como essencial para me lapidar neste processo de autoconhecimento e renovação espiritual. Acredito que tenha que ser assim mesmo.
Oviedo, estou chegando.
Santiago, passa à frente!

#pedrasdocaminho

domingo, 29 de março de 2015

De volta ao começo...

                                                Foto Leandro Ayres
“Santiago é Aqui!”, na Pinacoteca Benedicto
Calixto, em Santos: mais um bom sinal...
Valorizando os sinais que me interessam, ao mesmo tempo em que reduzo a importância daqueles que podem me induzir ao erro, refletindo quase que imediatamente uma forma de manipulá-los e, antes de qualquer estrago, desclassificá-los como tal, levando ao exagero a máxima de me fixar sempre no lado bom dos fenômenos, fiquei extremamente feliz com a resposta que obtive, ainda que esteja baseado no feedback de parentes e amigos, no lançamento de dois novos livros sobre o Caminho de Santiago – já referidos no post anterior, mas que vale a pena lembrar, até para facilitar quem acessa este blog pela primeira vez e... quer saber, também para corrigir informações divulgadas de forma equivocada, talvez mal compreendidas, tantos são os detalhes que envolvem o Caminho de Santiago, e, entre os quais, que fique bem claro: Santiago de Compostela não se localiza no Chile, mas na Espanha!
Dos dois títulos lançados no sábado 14 de março, no belo casarão branco da Pinacoteca Benedicto Calixto, na orla da praia do Boqueirão, em Santos, “Busca sem fim”, o terceiro da trilogia “Pedras do Caminho” (os dois primeiros foram lançados em 2013 e em 2014), relata a peregrinação que realizei em 2012 nos quase 190 quilômetros do Caminho Aragonês, vencidos em oito dias, iniciado em Somport, na fronteira entre França e Espanha, até Puente la Reina, quando ele se encontra... (o que na verdade hoje acontece em Obanos!)... com o Caminho Francês. Sou suspeito, mas considero o conteúdo deste livro fantástico, à altura do que ele representa na trilogia proposta e na revelação singela de que a busca por autoconhecimento, por também exigir a aquisição de conhecimento geral, ainda que no âmbito da simbologia do Caminho – que pode ser considerada uma parábola da vida –, é mesmo sem fim...
“Descobrindo novos Caminhos” reafirma a constatação de que essa busca é realmente sem fim e enfatiza o fiapo de coerência (como se uma eventual coerência fosse necessariamente importante...) que me fez retornar à Península Ibérica no ano seguinte, 2013, para reencontrar Santiago e peregrinar o Caminho Sanabrês – optando para iniciá-lo em Zamora, ainda na Vía de la Plata, e desviar à Oeste em Granja de Moreruela, percorrendo cerca de 420 quilômetros em 16 dias. Um Caminho maravilhoso e que, me sentindo amadurecido pelo conhecimento dos três Caminhos anteriores, me fez adotar a rota alternativa por Verín, junto aos pueblos e aldeias raianas do Norte de Portugal, e depois desviar do Caminho tradicional e ir ao encontro do Monastério de Oseira, enfim, agregar ainda mais valor à peregrinação.
Não tenho dúvidas de que o contexto do evento da Pinacoteca é um bom sinal, tanto pelas coisas boas que aconteceram antes, que permitiram sua viabilização, e mesmo com os percalços, ainda mais neste momento econômico em que está mergulhado o Brasil, estes apenas serviram de bons ensinamentos e fazem parte de todo e qualquer Caminho; como pelas que aconteceram durante, pela presença efetiva de amigos, parentes e pessoas que, para mim desconhecidas, atenderam ao chamado de se surpreender com a mística do Caminho de Santiago, e, inclusive, este é o momento de celebrar a chuva que caiu (em Santiago de Compostela “la lluvia es arte”) e não interferiu na disposição das pessoas que realmente desejavam participar...; e até pelas coisas que ocorreram após, e continuam a me impressionar, seja pela repercussão que o encontro ainda projeta na mídia, seja entre as pessoas que não tiveram a oportunidade de comparecer e lamentam, ah! como gostariam, e que demonstram isso por meio de mensagens pessoais e nas redes sociais, ou através da efetiva compra dos livros.
Assim, na esteira de tantos bons sinais, que, como tentei relacionar, continuam a me perseguir – aliado ao efetivo ânimo pelo lento, mas constante, fortalecimento físico, o que é fundamental, ao lado da saúde mental –, decidi programar para logo meu reencontro com Santiago, especialmente, mas também comigo mesmo, em mais uma peregrinação a Santiago de Compostela. Como se sabe, no ano passado adiei o projeto da quinta peregrinação para viajar com minha amada Sandra, sob o pretexto de comemorar os 30 anos de nossa união e, claro, aproveitar para celebrar a peregrinação de Francisco, de Assis a Santiago de Compostela, realizada em 1214, portanto, há 800 anos – que, aliás, tem sido e ainda será, até julho próximo, motivo de festa e muito júbilo no Caminho de Santiago. Afinal, iniciar minha Sandra nos mistérios de Santiago me proporcionou uma imensa alegria, que agradeço a cada manhã ao acordar, e toda noite quando oro e me preparo para sonhar e descansar.
Mas – pondera alguém e, às vezes, eu mesmo –, há tanto países para conhecer e você vai voltar para a Espanha? E outra vez para o Caminho de Santiago?
De tão singela que é minha convicção, às vezes me parece difícil explicar mais uma vez a dimensão do que representa a fé na peregrinação, ainda que só para mim – apesar de que a experiência é universal e, portanto, capaz de transformar quem quer que esteja disposto. Tento novamente com paciência e me cobro a exigir moderação, e meu interlocutor (ainda que seja eu), que ousa me questionar, parece que não quer entender, ou parece que não consigo me fazer compreender. Então, evito o entusiasmo, não deixo transparecer a agonia, controlo minha ansiedade, e insisto em tentar sorrir – como se meu sorriso fosse capaz de me auxiliar nesta tarefa, quem sabe missão, compromisso, comprometimento, de me inspirar e inspirar pessoas à peregrinação pelos Caminhos de Santiago.
Enfim, o que você ganha com isso? – teima o, o, o..., o demônio.
Nada, ora! – respondo, logo me contrariando: Não, não, não... Ganho tudo, tudo, tudo!!!
E o abismo entre o nada e o tudo se apresenta inexorável, ou apenas se complementa, como o yin e o yang na representação do Princípio Único da Vida. O movimento é muito tênue, reconheço, mas insisto na metáfora de que, me melhorando, ou seja, me lapidando, e cada qual se melhorando – perseguindo o melhor modelo a seu modo e assim envolvendo e influindo a quem possa convencer –, o mundo será melhor. Como uma onda, que não parará jamais... Em última análise, esta é a base do que hoje considero o sentido da vida.
Sim, já adquiri os bilhetes e volto ao “meu deserto” em junho para peregrinar o Caminho Primitivo, desde Oviedo, percorrendo a primeira rota de peregrinação às relíquias de Santiago, que foi inaugurada por Afonso II, o Casto (759/760 – 842), Rei das Astúrias de 791 a 842. Conta a tradição que em 813, ao ser informado pelo eremita Pelayo, a quem foram revelados sinais no céu... na região que viria a ser chamada de Campus Stelae, ou Compostela, o bispo Teodomiro, de Iria Flávia, anunciou o achado a Afonso II, que, acompanhado de seu séquito, deixou a capital do reino, em Oviedo, e rumou ao local indicado, onde mandou construir uma igreja, hoje a fantástica Catedral – dando início ao fenômeno das peregrinações...
Sim, estou de volta ao começo.
Sim, desde já, passo a evocar meu mantra: Santiago, passa à frente!

terça-feira, 10 de março de 2015

As fotos coloridas de Pedras do Caminho

Pedras do Caminho Aragonês: “Busca sem fim”

Sempre tentei e nunca desistirei de ver meus livros sobre os Caminhos de Santiago ilustrados com fotos coloridas. Entendo que apesar de toda a dramaticidade do preto e branco e da preferência de muitos fotógrafos, aliás dos melhores fotógrafos do mundo, eu, como efetivamente sou mais jornalista do que fotógrafo, considero que as imagens coloridas carregam mais realidade – o que para mim é essencial. No caso do Caminho de Santiago, as fotos tornam-se capazes de revelar não só a beleza das paisagens naturais, mas o incrível legado arquitetônico existente na rota de peregrinação, classificada pela Unesco como Patrimônio Mundial da Humanidade.
Assim é que, ao preparar o layout do primeiro livro em 2009 – e que viria a inaugurar a trilogia “Pedras do Caminho”, apresentando o meu encontro comigo mesmo –, mantive todas as imagens coloridas, que, na ocasião, foram editadas e tratadas pelo fotógrafo e professor universitário João Batista Mendes Neto. Para um material produzido numa cybershot Sony, com pouquíssimos recursos, João fez um trabalho magnífico. Infelizmente, não consegui patrocínio para viabilizar a edição e, após abandonar o projeto meio contrariado, retomei o Caminho em 2010, viajei para Machu Pichu em 2011 e voltei mais uma vez ao Caminho em 2012... (quando enfim foi consolidada a ideia da trilogia!!!), e finalmente decidi refazer o projeto inicial, reduzindo o tamanho, substituindo o papel e, em vez de fotos coloridas, fotos P&B.
Com novo orçamento foi possível viabilizar o primeiro livro em 2013, lançado em 11 de março, no Teatro Guarany, no Centro Histórico de Santos, no formato que seria adotado nas edições seguintes. Para compensar minha preferência pelas fotos coloridas, viabilizei uma pequena exposição com 24 fotos em sua versão original, projetando imagens mais reais do Caminho de Santiago. Assim também foi feito em 14 abril de 2014, quando lancei o segundo livro, na Casa do Trem Bélico, também no Centro Histórico de Santos: publicação em P&B, exposição de 24 fotos coloridas. Desta vez, contudo, o material foi produzido numa câmera Nikon com mais recursos, enquanto a edição e o tratamento das fotos foram realizados com toda a técnica do premiado fotógrafo Leandro Ayres.
A solução mais viável também está sendo adotada agora, no encerramento da trilogia “Pedras do Caminho” e na inauguração da série “Descobrindo novos Caminhos”... A parceria com Leandro foi mantida e é dele a edição e o tratamento das imagens dos dois livros – o que foi feito de forma especial e diferenciada, tanto na versão colorida quanto na versão preto e branco.
O resultado do excelente trabalho de Leandro – que, aliás, já peregrinou o Caminho de Santiago com ânimo de fotografá-lo... – já é possível conferir no salão principal da Pinacoteca Benedicto Calixto. Afinal, a exposição de fotos “Pedras do Caminho de Santiago” foi inaugurada hoje, antecipando o lançamento dos livros. Apresentada em 15 painéis de 80cmx60cm, a mostra consiste em 42 fotos clicadas durante as quatro peregrinações e poderá ser visitada até domingo 15, das 9 às 18 horas. Para facilitar a contextualização de cada imagem, consta legenda que informa a página do livro onde está publicada.
Como se sabe, o destaque do evento será no sábado 14, a partir das 17 horas, quando lançarei dois livros inéditos sobre o Caminho de Santiago: “Busca sem fim”, que encerra a trilogia Pedras do Caminho, e “Descobrindo novos Caminhos”, que inaugura série sobre outros Caminhos que levam a Santiago de Compostela, na Espanha, onde na cripta da catedral repousam as relíquias de Tiago Maior, um dos 12 apóstolos de Jesus.
O programa de sábado, conforme consta em detalhes no post abaixo, incluirá exibição de vídeos que fiz durante as peregrinações e apresentações dos músicos Luiz Henrique Castiñeiras (gaita de foles) e Mila Maia (flauta e tin whistle). O duo executará músicas celtas e do folclore da região da Galícia, onde fica Santiago de Compostela. No repertório estarão músicas tradicionais e hits, que se tornaram conhecidos na interpretação do grupo espanhol Luar na Lubre.
O evento é uma realização da Titan Comunicação, com apoio de Pet Memorial, Engeplus Incorporadora e Construtora, Apply Auditores Associados, T-Recupera Engenharia, Ferreira & Cheganças Materiais para Construções, Unisanta, Stiletto, Divena, Capital Serviços Técnicos, Toledo Corretora de Seguros, Le Ayres Fotografia Profissional, Toads, Sweet Salt Gourmet, Jornal Perspectiva, Rádio City 102 FM e Prefeitura de Santos.
Metade da renda obtida com a venda dos livros será doada à Casa da Esperança de Santos. A instituição é mantida pelo Rotary Club de Santos e atende crianças e adolescentes portadores de paralisia cerebral.
Os livros estarão à venda na Realejo Livros, Bairro Gonzaga, em Santos, e poderão ser solicitados pelo e-mail titan.com@uol.com.br, telefones (13) 3284.2373 / 9.9147.6668.

LOCAL – A Pinacoteca Benedicto Calixto está localizada na Avenida Bartolomeu de Gusmão, 15, Bairro Boqueirão, em Santos, com estacionamento gratuito pela Avenida Dr. Epitácio Pessoa, 100. Suas atividades têm patrocínio da Fundação Benedicto Calixto, Associação de Amigos da Pinacoteca, Embraport, Ecoporto Santos, Unisanta, BitCom, Terracom, General Sistema de Comunicação, Sistema A Tribuna de Comunicação, Porto Seguro e Prefeitura de Santos.

Pedras do Caminho Sanabrês:
“Descobrindo novos Caminhos”

Pedras do Caminho Francês: “Meu encontro...”

Pedras do Caminho Português:
“Sentido do Perdão”

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Revelações do Caminho na Pinacoteca Benedicto Calixto

Capa dos livros "Busca sem fim" e 
"Descobrindo novos Caminhos"

Sábado, 14 de março, a partir das 17 horas, na Pinacoteca Benedicto Calixto, em Santos, o público vai se surpreender com a tradicional rota de peregrinação cristã, surgida a partir do século IX, quando foram encontradas as relíquias de Tiago Maior, um dos 12 apóstolos de Jesus, que estão guardadas na cripta da catedral de Santiago de Compostela.
Em meio a exposição de fotos, exibição de vídeos e apresentação de música celta e do folclore galego, com o gaiteiro Luiz Henrique Castiñeiras e a flautista Mila Maia, estarei lançando dois livros: “Busca sem fim”, que encerra a trilogia Pedras do Caminho, e “Descobrindo novos Caminhos”, que demonstra que essa busca é mesmo sem fim e inaugura série sobre outras rotas de peregrinação que levam a Santiago de Compostela.
Que segredos se revelam ao longo do Caminho de Santiago de Compostela? Há segredos físicos e, sobretudo, espirituais que tento compartilhar com o leitor, em um texto leve, de observação aguçada, em busca do meu próprio "eu", mas atiçando a curiosidade de qualquer leitor.
As peregrinações revelam a busca de autoconhecimento pelo místico Caminho de Santiago – o que, de uma forma singela, é a parábola da luta diária em busca da plena felicidade –, ora tirando dúvidas, ora gerando outros questionamentos, enfim, proporcionando uma nova visão de mundo.
O projeto Pedras do Caminho foi idealizado para consolidar três grandes momentos pessoais: o primeiro revelou o encontro comigo mesmo; o segundo, ensinou-me o sentido do perdão, não só pelo que faço, mas especialmente por aquilo de bom que deixo de realizar; e o terceiro, enfim, me projetou um sentimento de busca sem fim, sem limites, o que foi definitivamente confirmado na quarta peregrinação.
Sempre alguém me pergunta: “Mas é preciso ir tão longe?”. Sinceramente, não sei. Talvez não, quem sabe?".
“Busca sem fim”
No livro que encerra a trilogia, abordo a tradicional rota tendo a oportunidade de relembrar as duas peregrinações anteriores e aprofundar o impacto do Caminho de Santiago em minha vida. É uma busca sem fim, por experiência, equilíbrio, autoconhecimento, enfim, por tudo que possa significar uma vida em equilíbrio.
“Busca sem fim” é ambientado no Caminho Aragonês, que inicia em Somport, na fronteira entre França e Espanha. O trajeto (até o encontro com o Caminho Francês, que peregrinei em 2009...) possui 190 quilômetros e durou oito dias, um dos quais me recuperando no Monastério de San Juan de la Peña... Além do aspecto pessoal, ao peregrinar o Caminho Aragonês conheci o rico patrimônio histórico, arquitetônico e cultural existente na rota, que cruza a comunidade autônoma do Aragão, formada pelas províncias de Huesca, Teruel e Zaragoza.
É nesse mundo de descobertas e desafios que relato a tradição de que o Santo Graal, o cálice sagrado de Jesus, permaneceu no Monastério de San Juan de la Penã de 1071 até 1399, após passar por diversas localidades. O Monastério que visitei e revelo inúmeras impressões...
“Descobrindo novos Caminhos”
Em “Descobrindo novos Caminhos” confirmo minha tese de que sim, essa busca por autoconhecimento, por respostas sobre a existência humana, enfim, pela felicidade, essa busca é mesmo sem fim no Caminho de Santiago.
Nesta quarta peregrinação, o pano de fundo é o fantástico Caminho Sanabrês, uma variante da tradicional Vía de la Plata, que inicia em Sevilha e segue até Astorga para encontrar-se com o Caminho Francês... Meu Caminho Sanabrês somou cerca de 420 quilômetros e foi peregrinado em 16 dias. O ponto de partida foi ainda na Vía de La Plata, em Zamora, um dos mansios da formidável rede de vias romanas que funcionou na Península Ibérica e está descrita no famoso Itinerário Antonino, do século III.
Com a quarta peregrinação, completei 1.653 quilômetros a pé pelos Caminhos de Santiago... Como afirmo no livro: “Caminhos que levam o peregrino ao reencontro consigo mesmo, com as relíquias do apóstolo de Cristo, com a mística de Santiago de Compostela, em busca de conhecimento, de autoconhecimento, de paz interior, de momentos de reflexão sobre a existência, sobre o que fez, o que faz e o que ainda pretende fazer nesta curta, porém, rica, bela, agradável... experiência de vida. Buen Camino!”
Santiago de Compostela
Reza a tradição que, após pregar na Espanha, Tiago Maior, apóstolo de Jesus e filho de Zebedeu e Maria Salomé, regressou à Palestina e foi decapitado por ordem do rei Herodes (41-44 d.C.). Seu corpo foi colocado numa barca de pedra e, milagrosamente, viajou da Palestina à Galícia... Uma história que realmente mexe com o sagrado e a capacidade de inquirição de cada um de nós.
Para quem ainda não me conhece, sou natural de Santos, no litoral do Estado de São Paulo, tenho 58 anos (completo 59 em 15 de março...) e exerço as atividades de jornalista e advogado. Diretor-editor da Titan Comunicação Ltda., sou responsável pela edição do Jornal Perspectiva, dirigido à indústria imobiliária. Já atuei em vários jornais, entre os quais, o extinto Jornal Cidade de Santos, do Grupo Folha da Manhã, e Diário do Grande ABC, de Santo André.
Iniciei a série de peregrinações pelos Caminhos de Santiago em junho de 2009, com o Caminho Francês. Em 2010, peregrinei o Caminho Português; em 2012, Caminho Aragonês; e em 2013, Caminho Sanabrês. Muito provavelmente voltarei outras vezes, porque a busca é sem fim. As viagens estão relatadas em www.blogcomcebola.zip.net (lotado) e continuam em www.pedrasdocaminhodesantiago.blogspot.com.br

. Título: “Pedras do Caminho III, Busca sem fim no Caminho de Santiago de Compostela”
. Autor: Luiz Carlos Ferraz
. Editora: Titan Comunicação Ltda.
. ISBN: 978-85-910810-4-2
. Formato: 21 cm x 15 cm
. Nº de Páginas: 152
. Preço: R$ 30,00
 . Título: “Descobrindo novos Caminhos, As pedras do Caminho Sanabrês a Santiago de Compostela”
. Autor: Luiz Carlos Ferraz
. Editora: Titan Comunicação Ltda.
. ISBN: 978-85-910810-5-9
. Formato: 21 cm x 15 cm
. Nº de Páginas: 152
. Preço: R$ 30,00
O evento que acontecerá na Pinacoteca Benedicto Calixto é uma realização da Titan Comunicação, com apoio de Pet Memorial, Engeplus Incorporadora e Construtora, Apply Auditores Associados, T-Recupera Engenharia, Ferreira & Cheganças Materiais para Construções, Unisanta, Stiletto, Divena, Capital Serviços Técnicos, Toledo Corretora de Seguros, Le Ayres Fotografia Profissional, Toads, Sweet Salt Gourmet, Rádio City 102 FM, Jornal Perspectiva e Prefeitura de Santos.
Metade da renda obtida com a venda dos livros será doada à Casa da Esperança de Santos. A instituição é mantida pelo Rotary Club de Santos e atende crianças e adolescentes portadores de paralisia cerebral.
Os livros estarão à venda na Realejo Livros, Bairro Gonzaga, em Santos, e poderão ser solicitados pelo e-mail titan.com@uol.com.br, telefones (13) 3284.2373 / 9.9147.6668.


A Pinacoteca Benedicto Calixto está localizada na Avenida Bartolomeu de Gusmão, 15, Bairro Boqueirão, em Santos, com estacionamento gratuito pela Avenida Dr. Epitácio Pessoa, 100. Suas atividades têm patrocínio da Fundação Benedicto Calixto, Associação de Amigos da Pinacoteca, Embraport, Ecoporto Santos, Unisanta, BitCom, Terracom, General Sistema de Comunicação, Sistema A Tribuna de Comunicação, Porto Seguro e Prefeitura de Santos.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

O Caminho no meu corpo...

Marcador de livro: presente
de minha irmã Carmen, de
Santiago de Compostela

– Mas, corro o risco de me quebrar?
– Não!
A resposta, assim mesmo seca, peremptória, como costuma ser a troca de informações com alguns médicos – sempre a exigir uma terceira, quarta, ou quinta opinião... –, aparentemente me aquietou e fortaleceu em mim a convicção de que peregrinarei sim, em junho próximo, o Caminho Primitivo, desde a Catedral de San Salvador de Oviedo, até as relíquias do apóstolo de Jesus, Tiago o Maior, guardadas na cripta da Catedral de Santiago de Compostela.
A resposta, é bem verdade, mais do que simplesmente reiterou meu ânimo, considerando que há algum tempo pesquiso e avalio as opções para, além de definir a data, traçar em quantas etapas será o meu Caminho Primitivo. Na penúltima avaliação, levando em conta os cerca de 320 quilômetros do trajeto, estava prevendo atravessá-lo em 19 (!!!!), sim, 19 etapas, cada uma delas com minguados 16,8 km...
Agora, contudo, ao praticamente cristalizar meu projeto, refiz os cálculos e minha pretensão é percorrer o Caminho Primitivo em 15 etapas, cada com cerca de 21 km, o que, convenhamos, fará uma diferença e tanto. E acho mesmo que é possível! Basta lembrar que caminhei os mais de 420 km do Sanabrês em 16 etapas, cada uma com cerca de 26 km. Tudo bem, mas isso foi há dois anos, em junho de 2013! O que falar então de quatro anos antes, em 2009, quando peregrinei os 800 km do Caminho Francês em 29 dias, com média diária de 27,5 km...
Sim, o inexorável tempo agindo sobre o meu corpo!
Não, não vou me quebrar! Isto também é uma questão de fé. Mas vai doer; sim, vai doer a coluna, com uma série de complicações, e vai doer o quadril, com outras tantas... Mas nada que um bom analgésico ou anti-inflamatório não resolva. O grande problema dessas drogas é tomá-las em dose exagerada e de forma contínua. E não será o caso. Um comprimido de 100 mg de aceclofenaco por dia, num lapso de 15, no máximo 20 dias, está dentro na margem de segurança. Ou não?
– O que o dr. acha? – pondero ao ortopedista que me escuta.
– Sim! – concorda, acrescentando de forma surpreendente: “Prefira o analgésico”.
Minha saúde, enfim, é questão crucial que me preocupa nesses tempos em que me preparo para retornar ao Caminho de Santiago. Uma questão que encontro tempo para aprofundar, compartilhar com as tarefas profissionais e me dedicar à organização do evento que acontecerá dentro de exato 1 mês (mas não 30 dias, considerando que este fevereiro terá 28 dias...), ou de exatos 28 dias, no qual estarei reunindo irmãos, amigos, peregrinos, parceiros, enfim, o povo em geral, para lançar mais dois livros de minha autoria sobre o Caminho de Santiago: “Busca sem fim”, que encerra a trilogia Pedras do Caminho, e “Descobrindo novos Caminhos”, que dá continuidade aos relatos de minhas peregrinações pelos Caminhos que levam a Santiago de Compostela.

“Mas não estaria de bom tamanho lançar um livro de cada vez?”, alguém insiste em me perguntar. Talvez. Não, acho que não. No prefácio de “Descobrindo novos Caminhos” tento esmiuçar a questão da trilogia, da simbologia do 3, numa tentativa, talvez vã, de explicar que o quarto volume, ao dar singela continuidade ao projeto perfeito de Pedras do Caminho, consolidado nas três fases propostas – do encontro comigo, da espiritualidade e do conhecimento –, na verdade não usurpa esta perfeição, mas se integra a ela e ao mesmo tempo oferece uma nova perspectiva, um novo olhar, confirmando que sim, essa busca pelo autoconhecimento, pela espiritualidade, pelo conhecimento... essa busca é mesmo sem fim. Buen Camino!